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PREGÕES MUSICAVAM AS RUAS Os guerreiros das tabas sagradas, os portugueses descobridores, os pretos trazidos da África, e muitos outros turistas fizeram uma raça nesta terra do sol, das montanhas e do mar. A nossa raça do Brasil. Ela anda nas mulheres bonitas, nos homens ágeis, na poesia que fala como se fosse música, na música, que é poesia desfolhada Todas as manhãs e de tarde e de noite, a raça brasileira passa pela minha porta na voz dos pregões cariocas, os pregões cariocas que escrevem no ar o poema da cidade. Alguns, cheios de madrugada ainda: - Vai frango Vai galinha gorda - Olha a laranja suletra Olha a boa tangerina Acalmam o começo do dia que o caminhão do leite tinha desvairado. E vêm vindo cada um com o seu tom diferente, o seu ritmo inconfundível: - A freguesa quer ovos? - Jabuticaba mineira mineira mineira - Flores florista - Garrafvezie - Abacaxi É de Vila Nova - Soldadooooooooo oor - Quitandeiró - Vassouras spanadors - Pixe Pixe Pitoló (Pixe é peixe; pitoló, não sei por quê, é camarão) Vem o correio que traz notícias para uns; o jornaleiro que traz notícias para todos; o homem coxo, de bolsa na mão: - Consertam-se máquinas de costura E o que conserta as finanças da gente: - Compra-se roupa velha, Vem o doceiro. O pregão dele parece um chótis: - Olha o duceiro, E o negro velho das cocadas, com uma saudade pobre da vida que foi um dia: - Cocada
E o caboclo de baú gostoso: - Soberano, gargalhada, Quando o sol se apaga e as lâmpadas se acendem: - Sorvetinho, sorvetão, E já veio o angu da baiana, veio "a sorte corre hoje", veio o melado de Campo Grande, e o óleo de coco, óleo de babosa, o sabão da Costa, pregador de roupa, saquinho de café Veio: - Barateiró Vem então, triste, triste: - Minduim torradinho Tá quentinho . Vem o italiano que vende as canções em voga; o italiano aleijado com a filha de sete anos. Ele faz o prólogo: - Mamãe escuta, E a menina canta: - Qui vantage Maria leva? Depois, há um intervalo em que todos os pianos, rádios e fonógrafos da vizinhança agem Afinal, perdido no silêncio do bairro adormecendo, o último pregão anuncia, longe, que a vida continua: - A Noite
(Texto de Álvaro Moreira (1936). In BANDEIRA, Manuel; ANDRADE, Carlos Drummond de. Rio de Janeiro em Prosa e Verso) |
ÁLVARO MOREIRA, poeta, cronista e jornalista brasileiro. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1888 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 1964.
Pamonhas! Pamonhas quentinhas e docinhas, freguesa! É o carro da pamonha que está na sua rua Pamoooonhas, com leite, coco e açúcar Oh, freguesa! O carro da pamonha, percorre as ruas todos os dias, sua fala é conhecida por todas as pessoas. Este é um pregão atual. Você conhece mais algum outro, antigo ou atual? Todos os meses no Almanaque Jangada Brasil você verá um pregão diferente! Veja o pregão selecionado para esse mês!
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