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AS JANGADAS
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da Brazilian-Mail está à nossa espera. Dizemos adeus aos nossos amigos, e logo
depois passamos em frente ao pequeno forte na ponta do Recife, de um lado, e do outro os
enferrujados canhões do forte do Brum, e achamo-nos novamente no oceano. Ao mesmo tempo,
umas cem jangadas, ou catamarãs, velejam para as zonas ricas em peixe a grande
distância da terra, dez, quinze, vinte, quarenta milhas. Essas curiosas embarcações
são compostas de quatro tábuas de uma madeira muito leve, com oito polegadas de
diâmetro, unidas entre si, com uma viga colocada por baixo para a quilha
e o leme, e uma larga vela latina de cor pardacenta, feita de fibrilas
e fixas num mastro tosco. Voa como o vento, e o clipper veloz corredor dos
mares não pode vencê-la na carreira. O pescador, com suas calças amarradas acima
dos joelhos, pois as ondas passam por cima das tábuas da embarcação, senta-se com toda
a segurança em seu banco de madeira. De quando em vez, tira um pouco da água do mar com
a sua cuia e joga-a para fora da jangada. Não tenha receio por tão frágil armação
naval. A jangada há de regressar ao porto amanhã, de manhã cedo, ou, quando muito, no
dia seguinte, transportando um carregamento dos mais extraordinários peixes, alguns de
olhos vermelhos, outros de olhos de boi, ou quatro olhos, bordos redondos, nariz romano,
com escamas e sem elas; entre estes há alguns carregando várias espécies de caudas,
pelos e tufos, como os búfalos
Uma vez, pelo menos é o que se conta, uma jangada
naufragou à noite; o proprietário foi recolhido e, levado para Baltimore, e voltou enfim
à sua terra para achar a sua inconsolável viúva confortada por um novo casamento, e
mais alguns filhotinhos no ninho familiar ainda não em idade de voar.
O doutor Kidder fez certa vez uma excursão numa jangada até a bela ilha de Itamaracá, e
a sua experiência mostrou-lhe que era bem arejada, bem provida de água e segura.
(Kidder, D. P.; Fletcher, J. C. O Brasil
e os Brasileiros) |
DANIEL PARRISH KIDDER, missionário metodista, chegou ao Rio de Janeiro em
1836. Permaneceu no Brasil alguns anos, tendo percorrido o norte do país em 1837-1838.
Após a morte de sua esposa, regressou aos Estados Unidos em 1842, onde três anos depois
publicou Sketches of residence and travels in Brazil (Filadélfia, Ed. Sorin and
Ball, 1845), que com o seu consentimento, foi ampliada, refundida e atualizada por seu
colega, o reverendo James Cooley Fletcher, constituindo-se na obra Brazil and the
Brazilians.
JAMES COOLEY FLETCHER, missionário
metodista americano. Nasceu em Indianápolis no ano de 1823. Realizou sua missão
evangélica no Brasil entre os anos de 1851 e 1865. Também dedicou-se ao estudo de
ciências naturais, tendo, durante sua viagem ao Amazonas, reunido material enviado ao
professor Agassiz, que o utilizou para seus estudos ictiológicos e posteriores
observações na mesma região. Durante sua permanência no Brasil, conquistou
influente círculo de relações, não só no meio das colônias americanas e inglesas,
como também entre brasileiros, inclusive o próprio Imperador. Ao lado do reverendo
Kidder, é considerado um dos fundadores do protestantismo no Brasil. |