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101 O conde disse aos soldados Que a cidade patrulhassem Tomassem os chapéus de Quem nas ruas encontrassem Um de cabelo amarelo Ou rico ou pobre pegassem. 103 Os soldados lhe disseram: - Cidadão não estremeça está preso a ordem do conde e é bom que não se cresça vai a presença do conde se é homem não esmoreça. 105 Evangelista respondeu: - Também me faça um favor enquanto vou me vestir minha roupa superior na classe de homem rico ninguém pisa meu valor. 107 Seguiu logo Evangelista Conversando com o guarda Até que se aproximaram Duma palmeira copada Então disse Evangelista: - Minha roupa está trepada. 109 Evangelista subiu Pôs um dedo no botão Seu monstro de alumínio Ergueu logo a armação Dali foi se levantando Seguiu voando o pavão. 111 Então mandaram subir Um soldado de coragem Disseram: - Pegue na perna Arraste com a folhagem Está passando na hora De voltarmos da viagem. 113 Voltaram e disseram ao conde Que o rapaz tinham encontrado Mas no olho de uma palmeira O moço tinha voado Disso o conde: - Pois é o cão Que com Creuza tem falado. 115 Disse Creuza: - Ora papai Me prive da liberdade Não consente que eu goze A distração da cidade Vivo como criminosa Sem gozar a mocidade. 117 - O rapaz que me amou só queria vê-lo agora para cair nos seus pés como uma infeliz que chora embora que eu depois morresse na mesma hora. 119 Às quatro da madrugada Evangelista desceu Creuza estava acordada Nunca mais adormeceu A moça estava chorando O rapaz lhe apareceu. 121 O rapaz disse: - Menina A mim não fizeste mal Toda a moça é inocente Tem seu papel virginal Cerimônia de donzela É uma coisa natural. 123 - Se o senhor é homem sério e comigo quer casar pois tome conta de mim aqui não quero ficar se eu falar em casamento meu pai manda me matar. 125 Creuza estava empacotando O vestido mais elegante O conde entrou no quarto E dando um berro vibrante Gritando: - Filha maldita Vais morrer com o seu amante. 127 Ouviu-se o baque do conde Porque rolou desmaiado A última cena do lenço Deixou-o magnetizado Disse o moço: -Tem dez minutos Para sairmos do sobrado. 129 Com pouco o conde acordou Viu a corda pendurada Na coberta do sobrado Distinguiu uma zuada E as lâmpadas do aparelho Mostrando luz variada. 131 Os soldados da patrulha Estavam de prontidão Um disse: - Vem ver fulano Aí vai passando um pavão O monstro fez uma curva Para tomar direção. 133 O conde olhou para a corda E o buraco do telhado Como tinha sido vencido Pelo rapaz atilado Adoeceu só de raiva Morreu por não ser vingado. 135 Em casa de João Batista Deu-se grande ajuntamento Dando vivas ao noivado Parabéns ao casamento À noite teve retreta Com visita e cumprimento. 137 Dizia o telegrama: "Creuza vem com o teu marido receber a tua herança o conde é falecido tua mãe deseja ver o genro desconhecido." 139 De manhã quando os noivos Acabaram de almoçar E Creuza em traje de noiva Pronta para viajar De palma, véu e capela Pois só vieram casar. 141 Os noivos tomaram assento No pavão de alumínio E o monstro se levantou-se Foi ficando pequenino Continuou o seu vôo Ao rumo do seu destino. 143 Na tarde do mesmo dia Que o pavão foi chegado Em casa de Edmundo Ficou o noivo hospedado Seu amigo de confiança Que foi bem recompensado. 145 |
102 Evangelista trajou-se Com roupa de alugado Encontrou-se com a patrulha O seu chapéu foi tirado Viram o cabelo amarelo Gritaram: - Esteja intimado! 104 - Você hoje vai provar por sua vida responde como é que tem falado com a filha do nosso conde quando ela lhe procura onde é que se esconde. 106
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