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53 Movido a motor elétrico Depósito de gasolina Com locomoção macia Que não fazia buzina A obra mais importante Que fez em sua oficina. 56 Quando Edmundo findou Disse a Evangelista: - Sua obra está perfeita ficou com bonita vista o senhor tem que saber que Edmundo é artista. 58 Foram experimentar Se tinha jeito o pavão Abriram a lavanca e chave Encarcaram num botão O monstro girou suspenso Maneiro como balão. 60 Então disse o engenheiro: - Já provei minha invenção fizemos a experiência tome conta do pavão agora o senhor me paga sem promover discussão. 62 Edmundo ainda deu-lhe Mais uma serra azougada Que serrava caibro e ripa E não fazia zuada Tinha os dentes igual navalha De lâmina bem afiada. 64 À meia-noite o pavão Do muro se levantou Com as lâmpadas apagadas Como uma flecha voou Bem no sobrado do conde Na cumeeira pousou. 69 Chegou no quarto de Creuza Onde a donzela dormia Debaixo do cortinado Feito de seda amarela E ele para acordá-la Pôs a mão na testa dela. 71 Então Creuza deu um grito: - Papai um desconhecido entrou aqui no meu quarto sujeito muito atrevido venha depressa papai pode ser algum bandido. 73 De um lenço enigmático Que quando Creuza gritava Chamando o pai dela Então o moço passava Ele no nariz da moça Com isso ela desmaiava. 75 Ajeitou os caibros e ripas E consertou o telhado E montando em seu pavão Voou bastante vexado Foi esconder o aparelho Aonde foi fabricado. 77 Percorreu todos os cantos Com a espada na mão Berrando e soltando pragas Colérico como um leão Dizendo: - Aonde encontrá-lo Eu mato esse ladrão. 79 Disse o conde: - Nesse caso Tu já estás a sonhar Moça de dezoito anos Já pensando em se casar Se aparecer casamento Eu saberei desmanchar. 81 E Creuza estava deitada Dormindo o sono inocente Seus cabelos como um véu Que enfeitava puramente Como um anjo de terreal Que tem lábios sorridentes. 83 A moça interrogou-o Disse: - Quem é o senhor Diz ele: - Sou estrangeiro Lhe consagrei grande amor Se não fores minha esposa A vida não tem valor. 85 Como eu lhe tenho amizade Me arrisco fora de hora Moça não me negue o sim A quem tanto lhe adora! Creuza aí gritou: - Papai Venha ver o homem agora. 87 Ouviu-se tocar a corneta E o brado da sentinela O conde se dirigiu Para o quarto da donzela Viu a filha desmaiada Não pode falar com ela. 89 - Minha filha, eu já pensei em um plano bem sagaz passa essa banha amarela na cabeça desse audaz só assim descobriremos esse anjo ou satanás. 91 Evangelista também Desarmou seu pavão A cauda, a capota, o bico Diminuiu a armação Escondeu o seu motor Em um pequeno caixão. 93 Já era a terceira vez Que Evangelista entrava No quarto que a condessa À noite se agasalhava Pela força do amor O rapaz se arriscava. 95 Evangelista sentou-se Pôs-se a conversar com ela Trocando o riso esperava A resposta da donzela Ela pôs-lhe a mão na testa Passou a banha amarela. 97 E logo Evangelista Voando da cumeeira Foi esconder seu pavão Nas folhas de uma palmeira Disse: - Na quarta viagem Levo essa estrangeira. 99 Disse o conde: - Minha filha Parece que estás doente? Sofreste algum acesso Porque teu olhar não mente O tal rapaz encantado Te apareceu certamente. |
54 Tinha cauda como leque As asas como pavão Pescoço, cabeça e bico Lavanca, chave e botão Voava igualmente ao vento Para qualquer direção. 57 - Eu fiz o aeroplano da forma de um pavão que arma e se desarma comprimindo em um botão e carrega doze arroba três léguas acima do chão. 59 O pavão de asas abertas Partiu com velocidade Coroando todo o espaço Muito acima da cidade Como era meia noite Voaram mesmo à vontade. 61 Perguntou Evangelista: - Quanto custa o seu invento? - Dê me cem contos de réis acha caro o pagamento o rapaz lhe respondeu: Acho pouco dou duzentos. 63 Então disse o jovem turco: - Muito obrigado fiquei do pavão e dos presentes para lutar me armei amanhã a meia-noite com Creuza conversarei. 65 Evangelista em silêncio Cinco telhas arredou Um buraco de dois palmos Caibros e ripas serrou E pendurado numa corda Por ela escorregou. 70 A donzela estremeceu Acordou no mesmo instante E viu um rapaz estranho De rosto muito elegante Que sorria para ela Com um olhar fascinante. 72 O rapaz lhe disse: - Moça Entre nós não há perigo Estou pronto a defendê-la Como um verdadeiro amigo Venho é saber da senhora Se quer casar-se comigo. 74 O jovem puxou o lenço Ao nariz da moça encostou Deu uma vertigem na moça De repente desmaiou E ele subiu na corda Chegando em cima tirou. 76 O conde acordou aflito Quando ouviu essa zuada Entrou no quarto da filha Desembainhou a espada Encontrou-a sem sentido Dez minutos desmaiada. 78 Creuza disse: - Meu pai Pois eu vi neste momento Um jovem rico e elegante Me falando em casamento Não vi quando ele encantou-se Porque me deu um passamento. 80 Evangelista voltou Às duas da madrugada Assentou seu pavão Sem que fizesse zuada Desceu pela mesma trilha Na corda dependurada. 82 O rapaz muito sutil Foi pegando na mão dela Então a moça assustou-se Ele garantiu a ela Que não eram malfazejos: - Não tenha medo donzela. 84 Mas Creuza achou impossível O moço entrar no sobrado Então perguntou a ele De que jeito tinha entrado E disse: - Vai me dizendo Se és vivo ou encantado. 86 Ele passou-lhe o lenço Ela caiu sem sentido Então subiu na corda Por onde tinha descido Chegou em cima e disse: - O conde será vencido. 88 Até que a moça tornou Disse o conde: - É um caso sério Sou um fidalgo tão rico Atentado em meu critério Mas nós vamos descobrir O autor do mistério. 90 - Só sendo uma visão que entra neste sobrado só chega à meia-noite entra e sai sem ser notado se é gente desse mundo usa feitiço encantado. 92 Depois de sessenta dias Alta noite em nevoeiro Evangelista chegou No seu pavão bem maneiro Desceu no quarto da moça A seu modo traiçoeiro. 94 Com um pouco a moça acordou Foi logo dizendo assim: - Tu tens dito que me amas com um bem-querer sem fim se me amas com respeito te senta juntos de mim. 96 Depois Creuza levantou-se Com vontade de gritar O rapaz tocou-lhe o lenço Sentiu ela desmaiar Deixou-a com uma síncope Tratou de se retirar. 98 Creuza então passou o resto Da noite mal sossegada Acordou pela manhã Meditava e cismada Se o pai não perguntasse Ela não dizia nada. 100 E Creuza disse: - Papai Eu cumpri o seu mandado O rapaz apareceu-me Mas achei-o delicado Passei-lhe a banha amarela E ele saiu marcado. (continua) |
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