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Excertos de
textos "O frevo, em rigor, não é um gênero próprio. Tem este nome no Norte, a alucinação que se apodera do povo nas festas carnavalescas, ao som de certas marchas e marchinhas especiais, sem canto, espevitadas, que têm o condão de produzir um frenesi contagioso, a ponto do sangue como que frever nas veias. Todos os escritores que tentam descrever esta espécie de loucura musical e coreográfica acabam largando a pena desanimados; é o caso, pois, de, parodiando Camões, dizer-se "Melhor experimentá-lo que julgá-lo, mas julgue-o quem não pode experimentá-lo". (VALE, Faustino Rodrigues. Elementos de folclore musical brasileiro, 1936) "O frevo pernambucano figura, ao lado do maxixe carioca, entre as mais originais criações dos mestiços da baixa classe média urbana brasileira, no campo da música e da dança Os estudiosos do frevo pernambucano, embora discordando em vários pontos quanto a pormenores de sua história, são unânimes em concordar que a origem do passo (nome atribuído às figurações improvisadas pelos dançarinos ao som da música) se prendem à presença de capoeiras nos desfiles das duas mais famosas bandas de músicas militares do Recife da segunda metade do século XIX: a banda do 4º Batalhão de Artilharia, chamado o Quarto, e a da Guarda Nacional, conhecida por Espanha por ter como mestre o músico espanhol Pedro Garrido. O costume dos valentões abrirem caminho de desfiles gingando e aplicando rasteiras sempre fora comum em outros centros urbanos, como o Rio de Janeiro e Salvador, principalmente nas saídas de procissões. No caso especial do Recife, porém, a existência de duas bandas rivais em importância serviu para dividir os capoeiras em dois partidos. E estabelecida essa rivalidade, os grupos de capoeiras começaram a demonstrar as excelências de sua agilidade à frente das bandas do Quarto e do Espanha, aproveitando o som da musga para elaborar uma complicada coreografia de balizas, uma vez que todos usavam bengalas ou cacetes da duríssima madeira de quiri. Ao ritmo certamente marcial dessas bandas do Espanha e do
Quarto (que partiria para o sul em 1865, quando da guerra do Paraguai), os capoeiras do
Recife, além de começarem a transformar seu gingado em dança, improvisavam versos de
desafio ao grupo rival
" (TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular brasileira.) |
SAIBA MAIS SOBRE O FREVO: Websites - Museu do Frevo Levino Ferreira Referências bibliográficas CAMPELO, Samuel. Quem foi que inventou o frevo?, in Anuário do carnaval pernambucano, Recife, 1938. COSTA, Pereira da. Folclore pernambucano, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo LXX, parte II, sd. DUARTE, Ruy. História social do frevo. Editora Leitura, sd. MELO, Mário. Origem e significado do frevo, in Anuário do carnaval pernambucano. Recife, 1938. OLIVEIRA, Valdemar de. O frevo e o passo de Pernambuco, in Boletim Latino-Americano de música, Rio de Janeiro, abril de 1946, tomo VI, Instituto Interamericano de Musicologia. PEIXE, Guerra. artigo sem título in História da música popular brasileira, fasc. 44, Abril Cultural, fevereiro de 1972. |
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