Censo de São Paulo em 1822

"Dos 6.920 habitantes
encontrados pelo censo de 1822 na cidade de São Paulo e seus arrabaldes 4.389 eram
maiores de 20 anos, 1.395 contavam a idade de 10 a 20 anos e 1.143 em menores de 10;
existiam 289 indivíduos de 60 a 70 anos, 108 de 70 a 80, 34 de 80 a 90, e 7 de 90 a 100;
2.916 pertenciam ao sexo masculino e 4.004 ao feminino.
No seio da população paulistana
contavam-se 7 médicos e cirurgiões-mores, 3 boticários, 2 advogados, 3 letrados, 3
professores de gramática, 1 de retórica, 1 de filosofia, 1 de teologia dogmática, 3
mestres de primeiras letras, 1 tabelião, 4 requerentes, 1 solicitador, 2 meirinhos, 92
costureiras, 48 rendeiras, 46 negociantes de "fazendas secas", 1 de
"fazendas secas e molhadas", 45 de "molhados", 1 de
"fazendas secas e ferragens", 33 tecelões e fiandeiras de algodão, 1
fabricante de colchas de algodão, 1 fabricante que o censo não diz de que, 24
carpinteiros, 21 alfaiates, 15 ferreiros e ferradores, 20 sapateiros, 8 ourives, 10
marceneiros, 8 seleiros, 5 pintores, 5 músicos profissionais, 4 padeiros, 3 seringueiros.
3 relojoeiros, 2 proprietários de casa de bilhar, 2 latoeiros, 3 violeiros, 1 barbeiro
(que ao mesmo tempo exercia as funções de sineiro da Sé), 1 fogueteiro, 1 funileiro, 1
tanoeiro, 1 caldeireiro, 1 gravador, 1 vendilhão, 1 refinador de açúcar, 1 coronheiro,
57 lavadores, 8 tropeiros e 3 pescadores.
As ruas mais habitadas da Paulicéia
eram então, as do Rosário com 77 casas, 78 fogos, 443 moradores e 23 estabelecimentos
comerciais; rua Direita, com 39 casas, 41 fogos, 317 habitantes e 16 estabelecimentos
comerciais; do Comércio, com 31 casas, 39 fogos, 208 moradores e 20 estabelecimentos
comerciais; São Bento, com 52 casas, 52 fogos, 256 moradores e 9 estabelecimentos
comerciais...
Compare o que era ela então com o que é hoje (1922),
opulenta urb, com os seus 64.491 prédios suntuosos, abrigando a população de 650.000
mil almas, num desenvolvimento que só encontra similar na formação das grandes cidades
dos Estados Unidos da América do Norte"
(Extraído de FREITAS, Afonso A. de. Tradições
e Reminiscências Paulistanas.)

Um cumpadre foi visitar o outro, conversa
vai, conversa vem, o visitante se levantou para ir embora. Então o dono da casa disse:
Fica mais um pouco, cumpadre, pra tomá um café
conosco.
O visitante aceitou esperar pelo café, que foi servido
simples. Ele, que pensava que o café fosse acompanhado de quitutes, resolveu esperar.
Esperou, esperou, até que não aguentando mais, perguntou:
Uai, cumpadre, cadê o nosco?
Veja o que significa café
conosco e outras expressões relativas ao café |

São Bartolomeu Casar-me, quero
eu
São Ludovico Com um moço muito rico
São Nicolau Que ele não seja mau
São Benedito Que seja bonito
São Vicente Que não seja impertinente
São Sebastião Que me leve à função
Santa Felicidade Que me faça a vontade
São Benjamim Que tenha paixão por mim
Santo André Que não tome rapé
São Silvino Que tenha muito tino
São Gabriel Que me seja fiel
Santo Aniceto Que ande bem quieto
São Miguel Que perdure a lua-de-mel
São Bento Que não seja ciumento
Santa Margarida Que me traga bem vestida
Santíssima Trindade Que me dê felicidade!
(Ladainha que Pereira da Costa
divulgou, em 1908)

Tem picolé, seu José.
É de juçara, dona Januária,
É de murici, dona Lili,
É de abacaxi, seu Gigi,
É de coco, seu Tinoco,
É de caju, dona Juju,
É de maracujá, dona Sinhá,
É um suplício, seu Simplício,
É um coquinho, seu Agostinho,
É um tremendão, seu Brandão!
(Raimundo Correia recolheu esse pregão do sorveteiro
Luís Almeida, em São Luís do Maranhão)

Enviuvei e casei com a cunhada para
economizar sogra.
Turbinado no pé, reduzido no mé, carona só muié.
Sorte é de Adão, não tinha sogra nem caminhão.
Macho que é macho não chupa mel, masca abelha.
Quem gosta de mulher feia é salão de beleza.
Perigo não é um cavalo na pista, é um burro na
direção.
Se correr o guarda multa, se parar o banco toma
Estepe e mulher é sempre bom ter de reserva.
Beijo não mata a fome mas abre o apetite.
Nas curvas do teu corpo capotei meu coracão.
Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho.
Se casamento fosse estrada, eu só andava no
acostamento.
Se não gosta do jeito que dirijo, saia da calçada.

A cavalo dado, não se olham os
dentes.
Casa arrombada, tranca na porta.
Falar no mau, aprontar o pau.
Os filhos depois de mamar na mãe, passam a mamar no
pai.
Quem ama o feio, bonito lhe parece.
Urubu quando está sem sorte, até na pedreira atola.
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