A lenda do monte Mochuara

Fabrisa Leite Barros da Silva

Desde minha primeira infância acostumei-me a ter pela janela de meu quarto a visão de dois belos montes. Um, o Mestre Álvaro, estava no município de Serra, o outro, mais próximo, era o monte Mochuara localizado no município de Cariacica, onde passei boa parte de minha vida, ambos no estado do Espírito Santo.

Ainda criança, a única coisa que me chamava a atenção era a beleza dos montes, a mudança de cor dependendo do dia, o sol se pondo atrás do Mochuara (quantas vezes parei o que estava fazendo pra admirar a beleza), o Mestre Álvaro com seu “capote” de nuvens avisando de que iria chover...

Até o dia em que tomei conhecimento da “estória” destes dois montes.

Uma lenda em torno do monte Mochuara conta que uma bela jovem viu-se apaixonada por um rapaz, forte e tão belo quanto ela, e teve seu amor correspondido.

Porém, quis o destino que os jovens pertencessem a grupos diferentes. Ele, um guerreiro branco; ela, uma indiazinha, frágil e doce.

Por toda a diferença, tiveram seu amor proibido. Mas, não suportando a distância, teimavam em se encontrar.

E, por desobedecerem a seus costumes, foram castigados. Ele tornou-se o monte Mestre Álvaro e ela o monte Mochuara. E assim permanecerão admirando um ao outro, mas sem poderem se tocar.

Mas, diz a lenda que, todos os anos, na noite de São João, é possível ver uma enorme bola de fogo cruzando o céu, de um monte ao outro.

Dessa forma permanece ainda hoje a celebração do amor desses dois jovens, separados e unidos por toda a eternidade.

Hoje, não vivo mais no Espírito Santo. Mas, da mesma forma que os amantes da lenda, eu não me esqueço e sei que não me desligarei de minha terra.

E, por vezes, me pego chegando até a janela para tentar, em vão, visualizar os montes de minha infância.