O vale encantado
Vera Lucia Dias
Vou narrar um fato que aconteceu comigo e se acharem por bem publicar, autorizo.
Dizem que o Vale do Anhangabaú é encantado e que por lá aconteceram e até hoje se passam coisas indefinidas. Em cima do viaduto do Chá sempre estão pessoas que fazem leitura de búzios, das cartas e outros conhecimentos.
Sou guia de turismo e conduzo grupos pela cidade contando sua história e ouvindo tantas outras. Comigo aconteceu que em 2003 uma pessoa chamada Davi ligou querendo fazer um passeio. Informou que não gostaria de fazer sozinho e preferia um grupo.
Cerca de um mês depois avisei ter quinze arquitetos querendo realizar um roteiro e que ele poderia participar. Marcamos para as 14hs em frente à Biblioteca Mário de Andrade.
Cheguei quarenta minutos antes e fui ao Vale do Anhangabaú para ver as condições do local. Lá me abordou um rapaz magro e alto dizendo: "Você é a Vera? Eu sou o Davi". Fiquei um pouco surpresa pois esse não era o local do encontro, mas conversamos por uns quinze minutos. Aí avisei que ia encontrar o grupo e ele disse que daria uma volta e nos encontraria lá.
Quando estava recebendo os participantes, chegou um rapaz forte e disse: "Oi tudo bem? "Eu sou o Davi?" Fiquei muito assustada e falei: "Mas eu falei com o Davi no Vale!!"
Ele afirmou categoricamente: "Você me ligou".
Demorei para me recuperar da surpresa, e sugeri aguardar mais um pouco para tirar a dúvida. Mas o outro não apareceu.
E assim me parece que conversei com um personagem que não descobri quem era, talvez uma dessas grandes coincidências da vida agitada paulistana. Mas sei que era alguém do bem.
São magias de um vale que para o povo da nação guarani certamente era um espaço único e ainda hoje essa geografia encanta muitos visitantes.
Vera Lucia Dias
Guia de turismo cultural
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