A mula-sem-cabeça

Rita Maria Catalão

Nos pequenos povoados ou cidades, onde existam casas rodeando uma igreja, em noites escuras, pode haver aparições da Mula-Sem-Cabeça. Também se alguém passar correndo diante de uma cruz à meia-noite, ela aparece. 

Dizem que é uma mulher que namorou um padre e foi amaldiçoada. Toda passagem de quinta para sexta feira ela vai numa encruzilhada e ali se transforma na besta.

Então, ela vai percorrer sete povoados, ao longo daquela noite, e se encontrar alguém chupa seus olhos, unhas e dedos. Apesar do nome, Mula-Sem-Cabeça, na verdade, de acordo com quem já a viu, ela aparece como um animal inteiro, forte, lançando fogo pelas narinas e boca, onde tem freios de ferro.

Nas noites que ela sai, ouve-se seu galope, acompanhado de longos relinchos. Às vezes, parece chorar como se fosse uma pessoa. Ao ver a Mula, deve-se deitar de bruços no chão e esconder unhas e dentes para não ser atacado.

Se alguém, com muita coragem, tirar os freios de sua boca, o encanto será desfeito e a Mula-Sem-Cabeça, voltará a ser gente, ficando livre da maldição que a castiga, para sempre.

Conheço essa lenda contada no interior da Bahia como sendo:

Em noite de lua cheia, nos povoados e nas fazendas aonde há crianças pagãs, quando chega meia noite há aparições da Mula-Sem-Cabeça que vem pegar essas crianças.

Nas noites que ela aparece, ouve-se seu galope, acompanhado de longos relinchos. E quem já a viu, disse ser um animal lindo e muito forte, com um pescoço longo, mas sem cabeça.

Certa vez estava eu numa fazenda em Ilhéus, quando fui avisada que naquela noite deveria me recolher cedo, pois à noite a Mula-Sem-Cabeça iria aparecer para tentar pegar as crianças pagãs.

Que essa senhora tinha quatro filhos que não eram batizadas e nem esperaria escurecer para trancá-los muito bem em casa. Que o culpado era o doutor, pois era o padrinho e não havia batizado ainda essas crianças.

No dia seguinte todos haviam ouvido seus galopes e algumas pessoas chegaram a vê-la.

Sinceramente, não sei se eu realmente dormi profundamente, mas não ouvi e muito menos vi nada da famosa Mula-Sem-Cabeça.

 

Rita Maria Catalão
Rio de Janeiro RJ