O maguari e o beija-flor

Contam que certo dia o beija-flor foi visitar o maguari. Depois de conversarem um pouco, o beija-flor saiu-se com esta:

— Como é, meu cunhado? Vamos fazer uma apostazinha?

— Ora, vamos — disse o maguari, que já sabia qual era a intenção do beija flor. — Será que você tem força suficiente para atravessar o rio [Amazonas] voando?.

— Mas é claro que tenho força, cunhado! — respondeu o beija-flor, cheio de si, porque era muito garganta.

— Está bom, cunhado. Vamos ver isso amanhã de manhã. Ficarei à sua espera na margem do rio.

Assim foi feito o trato e o beija-flor foi-se embora muito satisfeito, certo de que venceria a proeza. Não tinha ele, como todos diziam um vôo mais rápido que uma flecha desferida por potente arco?

No dia seguinte, manhãzinha ainda, como ficara combinado, o beija-flor foi encontrar o cunhado maguari na beira do rio e, cheio de orgulho, perguntou:

— Como é cunhado. Quem parte primeiro, eu ou você?

— Pode partir você primeiro — disse o maguari. — Eu vou atrás.

O beija-flor saiu, então, voando a grande velocidade e logo desapareceu. O maguari ficou olhando, pouco depois levantou calmamente seu majestoso vôo.

Mas o beija-flor, quando estava na altura do meio do rio, não podia mais, de tão cansado. Caiu na água e ficou boiando até que o maguari se aproximou, vagarosamente. O beija-flor gritou:

— Meu cunhado! Acuda-me! Eu me cansei! Deixe-me agarrar suas pernas!

O maguari fez uma volta, desceu, deixou que o beija-flor se agarrasse e voltou à margem, salvando-lhe a vida.

É isso. Quem corre depressa cansa.