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Setembro 2004 - nº 70 - Ano 70

Sumário

Festança

A bernúncia: sua origem
Álvaro Tolentino de Souza

Ciriri de Mato Grosso
Rossini Tavares de Lima

Festa de São Roque em Paquetá
Mariza Lira

Cancioneiro

A virgem senhora

Mulher: arca do bem
Eduardo Campos

Acordei de manhã cedo, fui varrer a Conceição
Guilherme Santos Neves

Imaginário

Cuca

Os olhos do gato e o coração do correio
Gustavo Barroso

Contos acumulativos: a história da pimenta

Colher de Pau

o "sinal" Na orelha, coleta e notas de Antônio Augusto

Mais um capítulo para o código rural: pastoreio de gado por cabeça
F. Contreiras rodrigues

Farinhada

Oficina

O fumo no folclore
Marina Andrade Marconi

O cigarro de palha e o mineiro
Alberto Deodato

Gaúchos de faca na bota
J. C. Paixão Cortes

Palhoça

Hortaliças
Carlos Augusto Taunay

O descascar-laranjas (der orangenschälen)
T. C. jamundá

Variações sobre a cachaça
Eduardo Campos

Panacéia

São Cosme e São Damião

Medicina campeira
Horácio Paz

Meteorologia popular
Horácio Paz

Veja o que foi publicado em Panacéia
Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Panacéia
Textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

São Cosme e São Damião

Os gêmeos Cosme e Damião, considerados patronos dos cirurgiões, são santos de muita popularidade entre o povo fluminense. No dia que lhes é consagrado, 27 de setembro, recebem homenagens promovidas por anônimos pagadores de promessa e por centros de culto umbandista. Em ambos, é para as crianças que as práticas convergem.

No município do Rio de Janeiro, em todos os bairros, as ruas ficam apinhadas de meninos e meninas em correria à procura de brinquedos e squinhos de doces ofertados por devotos. Nos saquinhos, decorados com as figuras dos santos, encontram-se diferentes tipos de doces: cocada, pé-de-moleque, maria-mole, fatia de bolo, cajuzinho, doce-de-leite, balas ou bombons. Dos brinquedos, os mais comuns são os carrinhos, bolas, bonecas, petecas, trenzinhos e apitos. Os devotos dos santos costumam, neste dia, destinar alguns doces e refrigerantes para serem colocados em frente às suas imagens num altar, onde também são acesas velas.

Como pagamento de promessas, que deve estender-se por sete anos, alguns crentes fazem a festa de mesa, quando sete crianças pequenas — ou catorze, ou vinte e uma, sempre em múltiplo de sete — sentam-se em uma mesa farta, com docinhos confeitados, balas, bolos e refrigerantes. Depois de servidos os menores, todas as outras crianças participam, então, da refeição ritual.

Em Jacarepaguá, bairro do Rio de Janeiro, uma família vem, por promessa, há mais de trinta anos, festejando a data com uma rica festa de mesa, para a qual é armado um parque de diversões em tamanho reduzido, construído com madeira e folha de flandres. Os brinquedos — roda-gigante, auto-pista, carrossel, trem-fantasma, montanha-russa, chicote — são movimentados por energia elétrica. Bonequinhos vestidos, lâmpadas pequeninas acesas, estacionamento de automóveis e uma cascata com água circular compõem junto com os brinquedos, um conjunto que desperta a curiosidade e a alegria dos pequenos.

Costumeira, a associação dos dois santos à figura de Doum ou Doim que, segundo a crença popular, era filho de uma empregada da família dos gêmeos e morreu no dia seguinte ao martírio dos irmãos, levado por eles que o amavam muito. É comum as estampas de Cosme e Damião incluírem a figura de uma outra criança, que representa Doum.

Folclore fluminense. Rio de Janeiro, Departamento de Cultura / INEPAC / Divisão de Folclore, 1982
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