Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Setembro 2004 - nº 70 - Ano 70

Sumário

Festança

A bernúncia: sua origem
Álvaro Tolentino de Souza

Ciriri de Mato Grosso
Rossini Tavares de Lima

Festa de São Roque em Paquetá
Mariza Lira

Cancioneiro

A virgem senhora

Mulher: arca do bem
Eduardo Campos

Acordei de manhã cedo, fui varrer a Conceição
Guilherme Santos Neves

Imaginário

Cuca

Os olhos do gato e o coração do correio
Gustavo Barroso

Contos acumulativos: a história da pimenta

Colher de Pau

o "sinal" Na orelha, coleta e notas de Antônio Augusto

Mais um capítulo para o código rural: pastoreio de gado por cabeça
F. Contreiras rodrigues

Farinhada

Oficina

O fumo no folclore
Marina Andrade Marconi

O cigarro de palha e o mineiro
Alberto Deodato

Gaúchos de faca na bota
J. C. Paixão Cortes

Palhoça

Hortaliças
Carlos Augusto Taunay

O descascar-laranjas (der orangenschälen)
T. C. jamundá

Variações sobre a cachaça
Eduardo Campos

Panacéia

São Cosme e São Damião

Medicina campeira
Horácio Paz

Meteorologia popular
Horácio Paz

Veja o que foi publicado em Oficina
Apoio Cultural
Simplicitate Design

Veja como sua empresa pode apoiar a nossa iniciativa.

Oficina
Textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...

Farinhada

A farinhada ou desmancha da mandioca aqui pro sertão é uma das atividades das mais alegres é rústicas, tudo é primitivo, mulheres, mocinhas, crianças sentam-se ao chão e, enquanto raspam a mandioca, vão cantando e brincando e namorando, homens musculosos, nus da cintura pra cima, puxam a roda pra ralar a mandioca, serviço pesado, chega a ser uma competição entre os homens, cantam desafio, participam, às vezes pelo gosto lúdico e competitivo. A farinhada tem seu glossário próprio.

Bolinete: cilindro de madeira com dentes de metal, onde se rala a mandioca, puxado pela roda.

Capote: parte da mandioca que fica sem raspar, onde se segura para não sujar a mandioca.

Cocho: feito de tronco de madeira, onde se lavam a mandioca e utensílios.

Correia: feita de couro cru, é através da correia que a roda aciona o bolinete.

Crueira: pedacinhos da mandioca, que não se ralam, serve para fazer bolo, biscoito, mingau, depois de seca e moída.

Cuia: vasilha de cabaça que se presta para apanhar farinha, massa, goma, crueira, água.

Gamela: de madeira em forma de bacia.

Forno: uma pedra porosa — vinda da Bahia — ou chapa fina assentada em adobe ou tijolo, onde se torra a farinha.

Goma: (polvilho) o amido da mandioca bem fininho, de cor branca.

Massa: a mandioca ralada, dela se fazem farinha, beiju, pacu.

Masseira: gamela grande de madeira de forma comprida, onde se põe a massa.

Pacu: bolo da massa da mandioca, é assado na palha de banana.

Pé-de-forno: farinha bem fininha que fica nos cantos do forno, depois de tirada a farinha, muito gostosa para se tomar com leite ou café.

Prensa: feita de madeira resistente (aroreira, pau d'arco), onde se espreme a massa para dela se tirar a água, há dois tipos: um em que se coloca na tampa bastante peso, o outro, mais bem trabalhado, a tampa é pressionada por um esteio de aroeira em forma de parafuso.

Raspa: a casca da mandioca.

Raspar a mandioca: descascar a mandioca.

Rebaixa: a casa onde se faz a farinha rústica, coberta de palha ou telha, à beira de um córrego ou vereda, sempre mais baixa do que o nível do terreno.

Roda: de madeira com 1, 40m de diâmetro, com braços de madeira roliça, é puxada pelos homens.

Rodo: pequeno pedaço de madeira em forma de meia lua presa a um cabo comprido, é com o rodo que se mexe a massa para torrar a farinha.

Tapioca: o mesmo que goma.

(Tablóide, agosto de 1971)
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