Certas brincadeiras, por barulhentas e movimentadas, exercem sua atração
sobre a infância de toda parte e o trem é uma dessa. Toda criança gosta de se
pôr em fila, apoiando as mãos nos ombros do companheiro da frente, para assim
sair andando com maior ou menor velocidade, apitando e resfolegando para imitar
um trem, ou mais exatamente, uma locomotiva...
Em Barcelos, provavelmente devido à familiaridade com a usina de açúcar ali existente, o trem adaptou-se aos termos e costumes locais. Assim, embora seja basicamente a mesma brincadeira, essas influências acarretaram algumas modificações na sua prática, e sob essa forma mantém-se em rigor.
O chefe da fila é a "máquina", sendo as outras crianças as "grades", nome dado aos vagões abertos próprios para o transporte de lenha e cana.
Divergindo do trem comum, as crianças, ou melhor, grades, encadeam-se segurando com a mão direita a esquerda da precedente.
Diminuindo a marcha somente quando vai parar, a máquina corre o tempo todo, fazendo curvas sobre curvas, bem apertadas. Sua finalidade é fazer tombar as acompanhantes, que não aguentando os trancos e puxões, vez por outra largam as mãos. São atiradas longe, chegando a cair realmente, em meio às vaias e risadas das mais resistentes.