Setembro 2010 - Ano XII - nº 140
A margarida
Partitura [PDF:22KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:8KB] Arranjado para o Realejo
Uma menina da saia larga e as outras pegando na barra do vestido dela,
formando uma roda. Do lado de fora uma outra garota, volteando e cantando:
Onde está a Margarida,
Ô lê ô lê ô lá;
Onde está a Margarida
Ô lê, seus cavalheiros.
Respondem as da roda:
Ela está em seu castelo.
Ô lê ô lê ô lá
Ela está em seu castelo,
Ô lê, seus cavalheiros.
A menina do lado de fora:
Mas eu queria vê-la.
Ô lê ô lê ô lá;
Mas eu queria vê-la,
Ô lê, seus cavalheiros.
A roda:
Mas o muro é muito alto,
Ô lê ô lê ô 1á
Mas o muro é muito alto,
Ô lê, seus cavalheiros.
A menina de fora, da roda, tira uma outra e canta:
Tirando uma pedra,
Ô lê ô lê ô lá;
Tirando uma pedra.
Ô lê, seus cavalheiros.
A roda:
Uma pedra não faz falta
Ô lê ô lê ô lá
Uma pedra não faz falta.
Ô lê, seus cavalheiros.
A menina de fora tira uma por uma da roda, só deixando mesmo a Margarida. À
medida que vão saindo, as que continuam na roda, cantam: Uma pedra não faz
falta, duas pedras não faz falta, três pedras, etc. até sair a última. Nesta
ocasião, cantam todas:
Apareceu a Margarida
Ô lê o lê ô lá
Apareceu a Margarida
Ô lê, seus cavalheiros.
Se querem brincar de novo, repetem os mesmos versos.
Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 14 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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Carneirinho, carneirão
Partitura [PDF:21KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:3KB] Arranjado para o Realejo
É uma roda de crianças, de mãos dadas, dançando e gesticulando de acordo com
a letra. Todas cantam:
Carneirinho, carneirão
Neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão
Pro chão, pro chão
Mandou dizer, rei meu senhor
Senhor, senhor
Que todas nós se ajoelhassem
Lhassem, lhassem
Carneirinho, carneirão...
Mandou dizer, rei meu senhor
Senhor, senhor
Que todas nós se levantassem
Tassem, tassem
Carneirinho, carneirão...
Mandou dizer, rei meu senhor
Senhor, senhor
Que todas nós se deitassem
Tassem, tassem
Carneirinho, carneirão...
Quando as meninas cantam — Que todas nós se ajoelhassem — se ajoelham. No verso
seguinte, se levantam. No outro, se deitam e por fim se levantam.
Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 16 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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Da abóbora faz melão
Partitura [PDF:115KB] | MIDI [MID:43KB] Arranjado para o Realejo
Da abóbora faz melão
Do melão faz melancia
Da abóbora faz melão
Do melão faz melancia
Faz doce, sinhá
Faz doce, sinhá
Faz doce, sinhá Maria
Quem quiser dançar
Vai na casa do Juquinha
Quem quiser dançar
Vai na casa do Juquinha
Ele pula, ele roda
Ele faz requebradinha
Ele pula, ele roda
Ele faz requebradinha
Uma roda de crianças, com uma delas no centro. No momento em que cantam "faz
doce, sinhá", a criança que está no centro faz um gesto como se estivesse
mexendo uma panela. Em "quem quiser dançar", ela escolhe uma criança da roda,
leva-a para o centro e as duas dançam juntas, obedecendo aos comandos "ele pula,
ele roda, ele faz requebradinha". Ao recomeçar a canção, as duas crianças que
estão no centro escolhem mais duas e assim por diante, até que todas entrem na
roda.
Cantiga de roda, conforme gravação de Palavra Cantada, no CD Pandalelê; brinquedos cantados
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Entrei na roda
Partitura [PDF:126KB] | MIDI [MID:43KB] Arranjado para o Realejo
Forma-se a roda, todos cantam o refrão:
Ah! eu entrei na roda
Ah! eu entrei na roda-dança
Eu não sei como se dança
Eu não sei dançar
Uma criança vai para o centro da roda e canta:
Namorei um garotinho
Do Colégio Militar
O danado do garoto
Só queria me beijar
A roda responde o refrão. Outra criança vai para o centro da roda e canta outro
verso. A roda responde e assim por diante, até que todas tenham cantado ou
improvisado seus versos.
Alguns versos:
Batatinha quando nasce
Toma conta do jardim
Eu também tô procurando
Alguém pra cuidar de min
Lá do céu e vêm caindo
Três cartilhas do ABC
A do meio vem dizendo
Que eu me caso é com você
Todo mundo se admira
Da macaca fazer renda
Eu já vi um avestruz
Ser o caixa de uma venda
Sete cravos, sete rosas
Sete galhos de alecrim
Sete cartas de lembrança
Que meu bem mandou pra mim
Atirei água pra cima
Aparei com uma caneca
Menininha bonitinha
Cinturinha de boneca
Sete e sete são catorze
Três vez sete, vinte e um
Tenho sete namorados
Só posso casar com um
Cantiga de roda, conforme gravação de Palavra Cantada, no CD Pandalelê; brinquedos cantados
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Eu sou pobre, pobre, pobre
Partitura [PDF:18KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:4KB] Arranjado para o Realejo
É uma fila de meninas, com uma em frente. Canta a menina sozinha:
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De amor-gê-pê.
Responde a fila:
Eu sou rica, rica, rica,
De amor-gê-pê.
A menina:
Quero urna de vossas filhas,
De amor-gê-pê.
A fila:
Escolheis a qual quereis,
De amor-ge-pê.
A menina:
Quero a menina Fulana,
De amor-gê-pê.
A fila:
Que oficio dás a ela,
De amor-gê-pê.
A menina:
Dou ofício de bordar ouro,
De amor-gê-pê.
Se o ofício agrada, cantam as da fila:
Este oficio já me agrada.
De amor-gê-pê.
Todas pulando e gritando no fim:
Faremos a festa juntas,
De amor-gê-pê.
Informante: Dona Bibi. Natal, RN, 27 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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Fui à Espanha
Partitura [PDF:20KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:3KB] Arranjado para o Realejo
As meninas de mãos dadas, em roda, cantam:
Fui à Espanha.
Buscar o meu chapéu
Azul e branco
Da cor daquele céu.
Veio uma preta
De lá da Bahia.
Pega na criança
E atira na bacia
A bacia era de ouro,
Arejada com sabão;
E depois dela areada
Foi enxuta com roupão
O roupão era de seda,
Camisinha de filó;
E depois nós damos vivas
Para quem ficar vovó
Quando cantam o último verso — Para quem ficar vovó — todas procuram se abraçar
umas com as outras. A que ficar sozinha, será a vovó. Por isso, essa roda só se
brinca com um número ímpar de meninas.
Informante: Ivanosca Noronha. Natal, RN, 16 de abril de 1947
Minha mãe conhece na mesma música, estes versinhos:
Vestido de bambuê
Forrado de bambuá
Buê, buê, buê
Buá, buá, buá
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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O cravo brigou com a rosa
Partitura [PDF:21KB] Cifrado para o Realejo
É uma roda de meninas, todas de mãos dadas, cantando:
O cravo brigou com a rosa,
Defronte de minha casa;
O cravo ficou ferido
E a rosa despedaçada.
Palma, palma, palma
Pé, pé, pé
Roda, roda, roda,
Carangueijo peixe é
Acompanhando a última quadra, as crianças batem palmas, batem o pé no chão e
rodam.
Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 17 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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Pai Francisco
Partitura [PDF:22KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:2KB] Arranjado para o Realejo
É uma roda, com uma menina do lado de fora. Cantam as da roda:
Pai Francisco entrou na roda,
Tocando seu violão.
Tá-ram-ram-tão-tão
Vem de lá seu delegado;
Pai Francisco foi pra prisão
Aqui o Pai Francisco se aproxima, todo se requebrando. A roda continua cantando:
Como ele vem
Todo requebrado
Parece um velho
Desengonçado
Então o Pai Francisco entra na roda e escolhe outra menina, que será o Pai
Francisco na vez seguinte.
Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 11 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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Sambalelê
Partitura [PDF:22KB] | MIDI [MID:14KB] Arranjado para o Realejo
Sambalelê tá doente,
Tá com a cabeça quebrada.
Sambalelê precisava
É dumas oito lambadas.
Oh! mulata bonita,
Como é que namora?
- Põe o lencinho no bolso,
Deixa a pontinha pra fora.
Oh! mulata bonita,
Onde é que ocê mora?
- Moro na Praia Formosa
E daqui vou me embora.
Refrão
Pisa, pisa, pisa, mulata,
Pisa na barra da saia, mulata!
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Se fosse um peixinho
Partitura [PDF:123KB] Cifrado para o realejo
Se fosse um peixinho
Soubesse nadar
Tirava fulana
Do fundo do mar
E a fulana
Que vai embarcar
Chindará, chindará, chindarará
Fulana não chores
Nem queiras chorar
Que o barco navega
Nas ondas do mar
Maneira de brincar: Roda com uma criança ao centro. Esta escolhe outra, fazendo
um movimento de balanço com as mãos dadas, e trocam de lugar.
Tradição oral, colhida por Cacilda Barbosa em 15 de dezembro de 1952, no
Ministério da Educação por ocasião das aulas aos professores bolsistas do INEP.
Informante: Ana Zilda Rebelo Reis, Maranhão
Roda colhida em São Luís, Maranhão. Conforme publicado em Música na escola primária (Brasília, Ministério da Educação e Cultura; Programa de Emergência, 1962, Biblioteca da Professora Brasileira)
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Terezinha de Jesus
Partitura [PDF:21KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:3KB] Arranjado para o Realejo
É uma roda com uma criança no meio, que é a Terezinha de Jesus. Cantam as da
roda:
Terezinha de Jesus
Deu uma queda e foi ao chão
Acudiu três cavalheiros
Todos três chapéu na mão
O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que Tereza deu a mão
Tanta laranja madura
Tanto limão pelo chão
Tanto sangue derramado
Dentro do meu coração
Então, canta a menina do centro, para escolher outra, que será a Terezinha
seguinte:
Da laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço
A garota escolhida dá um beijo e um abraço na que acaba de cantar e o brinquedo
continua.
Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 11 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
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Tengo, tengo, tengo
Partitura [PDF:20KB] Cifrado para o Realejo | MIDI [MID:4KB] Arranjado para o Realejo
É uma roda de crianças. Cada menina que se bota no lixo vai para dentro da
roda, até a última. Aí, ficam abraçadas. Para começar, todas cantam:
Tengo, tengo, tengo.
Ó maninha,
É de carrapixo,
Vou botar Fulana.
Na lata do lixo.
Aqui, a menina escolhida vai para o centro da roda. Repete-se o verso
sucessivamente, até entrar a última menina para a lata do lixo. Depois, todas
cantam:
Tengo, tengo, tengo.
Ó maninha,
É de carrapixo,
Vou tirar Fulana.
Da lata do lixo.
Depois que sai a última criança, todas cantam, pulando:
Tengo, tengo, tengo
Ó maninha
É de carrapixo,
Já saímos todas
Da lata do lixo.
Informante: Ivanosca Noronha. Nata, RN, 11 de abril de 1947
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).