Setembro 2010 - Ano XII - nº 140
Sorte
A sorte ajuda os audazes
A sorte de uns é o azar de outros
A sorte nunca dá, apenas empresta
A sorte procura o destino
Azar no jogo, sorte no amor
Contra a má sorte, coração forte
Na vida, até as flores dependem da sorte; umas enfeitam a vida, outras, a morte
Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça
Sorte é a explicação do invejoso para o sucesso do vizinho
Sorte é para quem tem, não para quem quer
Todo mundo tem a sorte que merece
Urubu quando está sem sorte, até na pedreira atola
Amor
A flor do amor tem muitos nomes
Amai-vos uns aos outros, mas não fazei deste amor um grilhão
Amor de asnos entra aos coices e sai às dentadas
Azar no jogo, sorte no amor
Em negócios de amor, nada de sócios
Infeliz no jogo, feliz no amor
Mais vale um dia de amor do que cem de latim
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
O amor é como a guerra: depois de declarado, não há mais paz
O amor é como o sarampo: todo mundo tem que passar por ele
O amor é um baratinho, nove meses de carinho e depois um molequinho
Quando estiver aos beijos no portão, lembre-se de que o amor é cego, mas os
vizinhos não
Alegria
A alegria atrai simpatia
Alegria de motorista é ver mulher na pista
Alegria de pobre é um dia só: uma libra de carne e um mocotó
Alegria de poste é estar no mato sem cachorro
Alegria de rato é ver ratoeira quebrada
Alegria de urubu é carniça
Barriga vazia não conhece alegria
Faze da noite, noite, e do dia, dia, viverás em alegria
Na casa de quem joga, pouca alegria mora
Quem planta e cria tem alegria
Semeia e cria, viverás com alegria
Visita dá duas alegrias: uma quando chega, outra quando sai
Noite
A noite é boa conselheira
À noite, todos os gatos são pardos
Banana de manhã é ouro, ao meio-dia é prata, de noite mata
Cavalo careta vê alma de noite
É como o bode de Guarabira: passava a noite bufando ao redor do chiqueiro das
cabras, mas era capado
É de noite que a saudade aperta
Laranja: de manha ouro, à tarde é prata, de noite mata
Mata-se o galo na primeira noite
Mulher feia e morcego só saem à noite
No silêncio da noite é que aumenta a população
Quando a noite é de escuro, nada vale a madrugada
Todo preguiçoso, de noite, é aguçoso
Vizinho
A galinha do vizinho é sempre mais gorda
A grama do vizinho é sempre mais verde
Ame o seu vizinho, mas não derrube a sua cerca
Antes o mar por vizinho, a cavaleiro mesquinho
Casa sua filha com o filho de seu vizinho
Deus nos livre da praga do mau vizinho e da cobra que se esconde na poeira do
caminho
Deus tudo vê e nada diz. Teu vizinho nada sabe e de tudo reclama
Festas e passarinhos, só na casa dos vizinhos
Livre-se de mau vizinho e de excesso de vinho
O despertador do pobre é o galo do vizinho
Quando você vir a barba do vizinho arder, ponha a sua de molho
Quem tem telhado de vidro não joga pedra no vizinho
Flor
A flor do amor tem muitos nomes
As flores mais belas também murcham
Com flor de laranjeira, tudo arranja
Da mesma flor a abelha tira o mel e a vespa o fel
Flor no peito, besta perfeito
Muitas flores nascem para morrer despercebidas
Mulher sem ciúmes é flor sem perfume
Na vida, até as flores dependem da sorte; umas enfeitam a vida, outras, a morte
Não há sábado sem sol. Nem jardim sem flores. Nem velhos sem dores. Nem moças
sem amores
Não se conhece o perfume pela beleza da flor
Quem planta flores colhe amor
Solidão não dá fruto nem flor
Mãe
A filha da onça traz pintas que nem a mãe
A vida de um filho está no coração da mãe
Amor de mãe é imortal
Amor só de mãe
Bezerro manso mama na mãe dele e na dos outros
Filha és, mães serás
Mãe é tudo igual, só muda o endereço
Mãe tem costas largas
Maior do que o mundo só o coração de mãe
Preguiça é a mãe do capeta
Quem tem mãe é sempre criança
Quem tem mãe, tem tudo
Pai
Filho és, pai serás, assim como fizeres, assim acharás
Filho extremoso, pai venturoso
Filho feio não tem pai
Morrer por morrer, morra meu pai, que é mais velho
Os filhos depois de mamar na mãe, passam a mamar no pai
Pai e mãe é muito bom, barriga cheia é melhor
Pai guardador, filho gastador
Pai impertinente, filho desobediente
Pai rico, filho nobre, neto pobre
Pai velho e mangas rotas, não é desonra
Para o filho bom conselho é servir-lhe o pai de espelho
Tal pai, tal filho
Pobre
A rico não devas e a pobre não prometas
Alegria de pobre dura pouco
Antes pobre esfarrapado, do que rico desonrado
Cinema de pobre é janela de trem
Dinheiro de pobre parece sabão: quando pega, escorrega da mão
Entre ricos e pobres não há parentesco
Galinha só aparece na mesa do pobre quando um dos dois está doente
Ladrão que entra na casa de pobre só leva susto
Mais vale um pobre honesto do que um rico ladrão
Melhor pobre e sábio, que rico e burro
Ninguém é pobre quando ama
Pobre é como parafuso, só vive apertado
Amigo
Alguns amigos são como aves de arribação. Quando faz bom tempo eles vêm,
quando faz mau tempo eles vão
Amigo irado, inimigo dobrado
Amigo que pede, inimigo que devolve
Ao amigo e ao cavalo, nunca apertá-los
Boa coisa é ter amigos, ruim é precisar deles
Cem amigos é pouco, um inimigo é muito
Conselho de amigo é aviso do céu
É melhor perder uma boa piada do que um amigo
É na hora do perigo, que se conhece o amigo
Para amigo urso, abraço de tamanduá
Quando o amigo não é certo, um olho fechado e outro aberto
Quem avisa amigo é
Chuva
Chuva e sol, casamento de espanhol
Chuva e vento, casamento de ciumento
Chuva não quebra osso
Erudito sem obra é nuvem sem chuva
Fumaça na serra, chuva na terra
Há chuva que seca e sol que refresca
Melhor que guarda-chuva é batida de limão
Muita trovoada é sinal de pouca chuva
Quem foi molhado de chuva não tem medo de sereno
Quem sai na chuva é para se molhar
Sol e chuva, casamento de viúva
Tempo traz tempo e chuva traz vento
Pão
Assa-se o pão enquanto o forno está quente
Bole o rabo o cão, não por ti, mas pelo pão
Deus dá farinha, mas não amassa o pão
Em casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão
Farinha ruim não dá bom pão
Nem todo dia se come pão quente
Nunca diga: desta água não beberei, deste pão não comerei
Pão comido não é lembrado
Pão que sobre, carne que baste, e vinho que falte
Pão, pão, queijo, queijo
Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento
Quem dá o pão, dá o castigo