Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Sumário
Doze contos acumulativos
Doze mitos e lendas
Doze clássicos do cancioneiro popular
Doze comparações na linguagem popular
Doze "faz mal"
Doze receitas de comidas típicas
Doze pregões de vendedores ambulantes e doze frases de botequim
Doze brincadeiras de quintal
Doze provérbios de doze temas
Doze frases de banheiro
Doze cantigas de roda
Doze orações para diversos fins

 

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Setembro 2010 - Ano XII - nº 140

Edição Especial de Aniversário

Doze brincadeiras de quintal

Elefante colorido

Espécie de pique ou pega-pega.

A criança escolhida para ser o pegador diz que tem um elefante colorido.

As outras perguntam:

— Que cor?

A perseguidora diz uma cor qualquer. Então, todas têm que correr e encostar em algo que tenha aquela cor.

*

Bolotinha de cabra

As crianças ficam lado a lado, travando-se por mãos e braços, em cadeia. As da ponta falam:

— Bolotinha de cabra!

— Senhor, meu amo!

— Quantos pauzinhos queimou hoje?

— Vinte e um contados

— Qual foi este? [Quem o contou?]

— Foi o barriga de soro azedo. [Ou outra imprecação qualquer]

— Lá vem a morte! — imita o barulho de um tiro — Pum! — e todas as crianças caem no chão.

 

(Cláudio, Afonso. Trovas e cantares capixabas. 2ª ed. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura; Fundação Cultural do Espírito Santo, 1980, p.27-28)

*

Violinha, violão

— O que tem atrás da porta?
— Uma cabra morta.
— O que tem atrás da janela?
— Uma fita amarela.
— O que tem no cantinho?
— Um ratinho.
— O que tem no cantão?
— Um ratão.
— O que tem no telhado?
— Um gato esfolado
— O que tem na sua rua?
— Uma espada nua.

Depois se canta, rodando as duas mãos fechadas:

Violinha, violão
Que se há de apanhar.

E quem se ri apanha um bolo. Uma menina fica no meio, vendo aquela que se ri e as outras sentadas na roda. E a que se ri vai para o meio, e se todas não se riem, fica a menina no meio da roda.

 

(Cabral, Alfredo do Vale. Achegas ao estudo do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Funarte, 1978, p.74)

*

Mandrake

Brincadeira infantil que tem começo quando duas crianças, após as combinações iniciais entrelaçam os dedos mínimos para firmar o trato.

A partir daí, devem estar sempre em guarda, pois quando se encontram, o mais rápido diz:

— Mandrake aí, licença!

O outro tem que ficar imóvel até que o companheiro o libere dizendo:

— Pode sair!

Conforme o trato inicial, depois de rendida certo número de vezes, a criança é levada a pagar uma prenda.

 

(Frade, Cáscia et alii. Folclore fluminense. Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Educação e Cultura, 1982)

*

Galinha gorda

Brincadeira de meninos durante banho na água corrente, na água viva, rio, mar.

Um menino ergue uma pedra, segura na mão, gritando:

— Galinha gorda
Gorda é ela
Vamos comê-la?
Vamos a ela

Atira a pedra na água e todos mergulham para buscá-la.

 

(Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 9ª ed. Rio de Janeiro, Ediouro, sd)

*

Cadê o grilo?

As crianças formam uma fila. Escolhe-se uma que fica fora da fila e inicia a brincadeira, perguntando:

— Cadê o grilo?

A primeira da fila responde:

— Está lá atrás.

A que vem logo atrás diz:

— O que é que faz?

A primeira da fila responde:

— Corre atrás.

Então sai correndo atrás da última da fila (o grilo), que foge dando voltas ao redor (o número de voltas é indeterminado) até que se coloca no início da fila, passando a ser a primeira. As perguntas recomeçam.

A brincadeira continua até que a criança que está correndo atrás das outras consiga pegar alguma, que passará a ser o pegador.

O jogo termina quando a criança que está correndo morre careca, ou seja, após percorrer todas as crianças da fila não consegue pegar ninguém.

*

Bola ao centro

Havia um tripé de madeira colocado no meio da roda de meninos. Esta dividia-se em dois partidos, tendo um defensor de cada lado.

Os meninos da roda não podiam sair de seus lugares; chutavam para o centro quando a bola era favorável.

Cada vez que se derrubava o tripé ganhava um ponto.

 

(Wolff, Emílio Silvestre. Nosso folclore. snt, p.151)

*

Balança caixão

O menino sorteado estava no "pais" com a cabeça voltada para o muro.

Os demais enfileirados atrás, segurando um no ombro do outro. O último gritou:

— Balança caixão.

O primeiro respondeu:

— Balança você; bata na bunda e vá se esconder. Bateu no da frente e foi se esconder.

As perguntas e respostas se sucederam até o último da fila.

Ao grito dos escondidos o "pais" saiu a procurá-los. Achou um; correu atrás, mas não conseguiu tocá-lo até o "pais". Ficou livre. O quinto, porém, consegiu pegá-lo com facilidade. Passou a vara e este recomeçou a brincadeira.

 

(Wolff, Emílio Silvestre. Nosso folclore. snt, p.150)

*

O jogo do manja-manja

Reúnem-se os meninos em forma de roda; cada um escolhe o nome de um bicho do mar (garoupa, tuarão, sardinha, baleia, camarão etc.).

Um deles inicia assim:
— Garoupa manja sardinha?

O que escolheu a sardinha retruca:
— Sardinha não manja.

O primeiro replica:
— Que é que manja?

O segundo responde:
— Manja camarão.

O que escolheu camarão protesta:
— Camarão não manja.

Diz a sardinha:
— Que é que manja?

Responde o camarão:
— Manja baleia.

O baleia retruca:
— Baleia não manja.

— Que é que manja? — pergunta o camarão.

E assim vai o jogo, cada um dizendo que manja o outro, e o outro sempre reagindo. Tudo, porém, deve ser feito com rapidez. Quem gaguejar ou deixar de replicar na ocasião oportuna, é castigado com bolos na mão.


(Ribeiro, Joaquim. Os brasileiros. Rido de Janeiro, Pallas / MEC, 1977, p.58-59)

*

João e José

Principiam as crianças de mãos dadas, e fazem a roda. Uma delas tem na cabeça um barrete de papel, e chama-se José.

Fica uma outra no centro, de olhos vendados, empunhando uma varinha. É João.

Rodando sempre, cantam as crianças:

Rodemos, rodemos
Sem nunca parar!
Não param as ondas
As ondas do mar!

Giremos, giremos
No alegre baileio!
Não param os astros
Os astros do céu!

Terminando o canto, a roda cessa de girar, e João pergunta:

— Onde estás, José?

José responde:

— Aqui, João?

Este caminha na direção donde lhe pareceu partir a voz, e bate com a varinha.

Se acertar bater em José, tira a venda e vai para a roda, ao passo, que José passa a ser João, e outro qualquer José, pondo à cabeça o barrete de papel.

 

(Os meus brinquedos. 4ª ed. Rio de Janeiro, Livraria Quaresma, 1958. Biblioteca Infantil da Livraria Quaresma, p.113-114)

*

Os chicotes do diabo

Traça-se no chão uma linha reta. Sobre ela fica, de pé, com as pernas abertas, um dos jogadores, que o desejar, ou que for tirado por sorte.

Esse é o diabo, e permanece ali, imóvel, com os olhos vendados.

Então, todos os outros, cada um por sua vez atiram o seu lenço enrolado através das pernas do diabo linge ou perto, à direita ou à esquerda, mas sempre para a frente da linha. Deverão ter o máximo cuidado em que o lenço enrolado (chicote) lhe não toque nas pernas. Nesse caso, o diabo será substituído pelo jogador inábil.

Atirados todos os chicotes, o diabo põe-se de cócoras, e caminha nessa posição, tateando para os lados ou para a frente, mas nunca para trás, a fim de apanhar um deles.

Se, num desses movimentos, suceder que o diabo passe além de um dos lenços enrolados, o seu dono deve apanhá-lo.

Mas, se o diabo conseguir apanhar algum lenço, retira a venda.

O dono do chicote, então, correrá, perseguido por todos, que se esforçarão por lhe bater, até que ele regresse ao lugar de onde partiu.

 

(Os meus brinquedos. 4ª ed. Rio de Janeiro, Livraria Quaresma, 1958. Biblioteca Infantil da Livraria Quaresma, p.107-108)

*

Mamãe, posso ir?

Brincadeira preferida pelas meninas, com adesão esporádica de meninos.

Uma criança é sorteada para ser a mãe ou o pai — conforme seja menina ou menino. O escolhido coloca-se num certo ponto — de chegada — com os olhos fechados, dando as costas para os demais participantes, distanciados alguns metros, em coluna. Ocorre então o diálogo:

— Mamãe (ou papai), posso ir?

— Pode.

— Quantos passos?

— Dois, de canguru.

A criança dá dois passos pulando como um canguru. A brincadeira continua com a mãe sugerindo vários bichos: formiga, quando serão dados passos pequenos; caranguejo, o passo será dado para trás, de costas; e outros. Cada bicho deve ser imitado. O término da brincadeira se dá quando uma criança consegue chegar ao local onde está colocada a mãe, tomando o seu lugar.

(Frade, Cáscia et alii. Folclore fluminense. Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Educação e Cultura, 1982)

*

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