O caapora
É um espírito com forma de homem, gigante, peludo e muito tristonho, que comanda as varas de porcos do mato e anda sempre montado sobre um deles.
Quem topar com o caapora, daí em diante arrastará consigo a infelicidade (caiporismo), para todo o resto da vida; se era bom torna-se mau caçador, pescador; dará topadas no caminho, espinhar-se-á nas roçadas, perderá objetos, andará atrasado, apoquentado...
Os animais domesticados também sentem a sua má influência, e entecarão, terão gogó, sofrerão bicheiras... No entanto, o caapora protege bravia de matos.
O curupira
É o espírito malfazejo do mato, que enreda os trilhos do caminho para enganar os andantes e sugar-lhes o sangue.
Andam sempre em casal e moram no oco dos paus de lei; aparecem de repente, fazem os seus embustes e escondem-se, à tocaia, rindo-se em silêncio.
O curupira é como um tapuio pequeno; tem os dentes verdes e os pés colados às avessas.
Quando perseguido pelo curupira, o melhor meio de fugir-lhe é atirar-lhe e ir deixando pelo caminho cruzes e rodilhas de cipó, entrançadas; ele entretém-se a examinar o achado e a destrançá-lo e, enquanto isso, o perseguido escapa-se.
O saci
Era um caboclinho, dum pé só, muito ágil, que saltava na garupa dos cavalos dos viajantes. Gostava de picadas e das encruzilhadas das estradas sombreadas. Outros diziam que o saci era apenas um manco de um pé e tinha uma ferida em cada joelho; que usava um barrete feito das "marrequinhas" (flores da corticeira), e que era ele que governava as moscas importunas, as mutucas, os mosquitos.
A uiara
A uiara ou mãe-d'água – é um demônio macho-fêmea dos rios. É um tapuio ou tapuia de rara beleza, morador no fundo dos rios ou lagos, e que fascina aquele que cai em seu poder, induzindo a pessoa fascinada a lançar-se na água. O indivíduo fascinado pelas uiaras, se não chega a afogar-se, ao ser retirado da água, declara ter visto palácios encantados, no fundo do rio, tendo sido acompanhado nesse passeio por uma mulher (se é homem, e por dois belos tapuios, se é mulher).
Ao voltar à terra, as uiaras o soltam e de novo vão para o rio, mas deixando em seu lugar pequenos tapuios para guardar o enfermo. Estes pequenos tapuios devem impedir que outros espíritos da água, seus inimigos, se apoderem da vítima.
O jurupari
É um espírito mau, que à noite aperta a garganta das crianças e até dos homens, para trazer-lhes aflição e maus sonhos, principalmente por haverem comido muito antes de se deitarem. É ele que faz o pesadelo nas criaturas.
O lobisomem
Dizem que eram homens que havendo tido relações impuras com suas comadres, emagreciam; todas as sextas-feiras, alta noite, saíam de suas casas transformados em cachorro ou em porco, e mordiam as pessoas que a tais desoras encontravam; estas, por sua vez, ficavam sujeitas a transformarem-se em lobisomens.
(Em Contos gauchescos e lendas do Sul)
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