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Frases feitas etc...

Iara Freitas Estides

Algumas frases feitas

• Por dá cá essa palha
• No dia de São Nunca
• Não sou pau de amarrar égua
• Segurando vela
• Na batata
• Isto tem dois V (vai e volta)
• Um pé lá e outro cá
• Pés em duas canoas
• Pau de dois bicos
• Ter as costas largas
• Jogar verde para colher maduro
• Ter as costas quentes
• De fio a pavio
• De cabo a rabo
• De céu em céu
• À queima bucha
• À queima roupa
• Coió sem sorte
• De mãos abanando
• Com o rabo entre as pernas
• Água no bico
• Água morna
• Levantou com o pé direito
• Levantou com o pé esquerdo
• Ir pro país dos pés juntos
• Lengalenga que não resolve
• A hora que a porca torce o rabo
• A hora da onça beber água
• Meter os pés pelas mãos
• Ir com o calcanhar pra frente.

Ditos

Entre as frases-feitas e os provérbios, há alguns termos também conhecidos como "ditos". São em geral, sentenças. Entretanto, estas sentenças não se enquadram perfeitamente entre os provérbios e são pouco mais do que frases-feitas.

Os ditos em geral revelam uma comparação, identidade de estado:

• Apertado como rato em guampa
• Pior do que pé com calo em sapato novo
• Filha da onça nasce com pintas que nem a mãe
• Quem por gosto corre não se cansa
• Cambuca de pimenta não perde o azedume
• Mexe mais do que cachimbo em boca de velha
• Contente que nem barata em bico de galinha
• O boi faz força e o carro geme
•  Em burro velho não se põe freio pequeno
•  Em cavalo corredor, cabresto curto

Disparates

Em Recreação popular assinalamos a formas de disparates, agora a que pertence à linguagem oral são frases-feitas, ditos desarrazoados, credenciadores da falta de nexo entre o assunto em tela. Na conversa, o disparate tem a função de deixar óbvio que uma determinada coisa tem a ver com outra.

Alguns disparates:

• Que é que tem a ver as ceroulas com as calças?
• Quem tem urubu com a luta da Maria?
• Que importa ao pires se o bebedor de café tem ou não bigodes?
• Que tem a ver a água do joelho com a seca do Ceará?

Pragas

Dentre as frases-feitas, necessário é que se destaquem aquelas que revelam um mau desejo, uma atitude de raiva, de raiva, de rancor ou de inveja – as pragas. Não é xingação com palavras de baixo calão. A praga é imprecação de que males recaiam sobre o desafeto. As pragas nem sempre são rodadas no olho a olho, mas "pelas costas", daí os crédulos temê-las.

Nas comunidades, as pessoas que costumam praguejar são muito conhecidas e postas de quarentena: "Fulana tem uma boca ruim, praga que ela roga pega mesmo".

Há muita crendice ligadas às pragas. O rogador de pragas é mais temido do que o blasfemo, do que aquele que vive proferindo palavrões. Há as pragas mais brandas: "Ora vá pro inferno!"

 

(Estides, Iara Freitas. "Frases feitas etc...". A Tarde. Juiz de Fora, 13 de setembro de 1968)

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