Em várias partes do Nordeste as casas de fazer farinha têm proprietário mas servem indistintamente a todos. São uma espécie de patrimônio da comunidade; bonito exemplo de fraternidade vicinal.
Quem precisa "desmanchar" uma pouca de mandioca é só perguntar ao dono da utilíssima casa se ela em determinado dia está desocupada. O sim equivale à concessão.
Acontece que muitos não tem o devido zelo e deixam o chão úmido de manipueira, massa azedando nos regos da prensa, raspas de mandioca e crueira espalhada por todo canto.
Daí o aviso, delicado, expedido pelo dono da casa:
Quem vier fazer farinha,
tenha santa paciência:
antes de se retirar
limpe a casa, lave a prensa.
A fase final da farinhada é a feitura dos beijus de tapioca [1] assados ao derradeiro calor do forno. Por isso, há esta variante do aviso versificado:
Quem fizer farinha aqui
tenha a santa paciência:
enquanto faz os beijus
varra a casa e lave a prensa.
Nota
1. Também se faz beiju da massa comum com que se prepara a farinha. Mas não é bom. Pode ser oferecido a todo mundo, que quase ninguém quer. Desse fato origina-se o ditado: "Fulano é como beiju de massa, que em todo lugar se acha".
Local: Sergipe. Época: 1948
Registro: Francisco Pereira da Silva
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