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Outubro 2006 - Ano IX - nº 95


Sumário

Festança
Cururu e ciriri
João Ribeiro

Festa de São Benedito no Espírito Santo
Auguste François Biard

Círio de Nazaré: O arraial
Ribamar Fonseca

Cancioneiro
A menina dos meus olhos
Guilherme Santos Neves

Outra vez a menina dos meus olhos
Guilherme Santos Neves

Moda da viúva

Imaginário
O lobisomem
Carmen Dolores

O macaco e sua cauda
Carmen Dolores

Mitos astronômicos
Charles Frederik Hartt

Colher de Pau
Cochos usados nos engenhos de farinha
Franklin Cascaes

Engenho de farinha tipo cangalha
Franklin Cascaes

Os campos de Barbacena
Richard Burton

Oficina
Padeiro flutuante

Lavadeiras

Presença mascate nas praias pernambucanas
Thelma Regina Siqueira Linhares

Palhoça
Nem sempre os vocábulos indígenas têm o sentido bonitos que aceitamos
Armando Gimenez

A linguagem da mímica

Apelidos na história do Brasil
Hélio Viana

Panacéia
Botica popular e doméstica
Guilherme Santos Neves

Benzeções e medicina folclórica em Juiz de Fora
Wilson de Lima Bastos

Círio de Nazaré: As promessas
Ribamar Fonseca

Veja o que foi publicado em Panacéia
Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Panacéia
Textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

Círio de Nazaré: As promessas

Ribamar Fonseca

O pagador de promessas é uma figura obrigatória no Círio de Nazaré, sendo, porém, muito diversificada a maneira pela qual cada um paga a sua. Simbolizando o salvamento de um enfermo às portas da morte, crianças e adultos acompanham a procissão envergando as tradicionais mortalhas, enquanto outros vestem trajes de santos e apóstolos. Há também os que conduzem, na cabeça, pedras, melancias, tabuleiros e até potes com água, para dar de beber aos romeiros, como pagamento de uma promessa pela graça alcançada.

Embora raro, há ainda os que carregam pesadas cruzes de madeira, enquanto outros, em sua maioria caboclos, conduzem miniaturas de um naufrágio. Já houve quem acompanhasse a procissão em todo o seu trajeto — cerca de nove quilômetros — de joelhos. Esses tipos de pagamento de promessas, entretanto, estão desaparecendo de ano para ano, sendo muito poucos os que ainda os adotam.

Atualmente, a maneira mais comum de se pagar uma promessa é acompanhar o Círio com os pés descalços ou conduzindo um círio aceso, que é amarrado a um pedaço de madeira para evitar que se quebre durante o trajeto. Outros preferem levá-lo apagado e depois depositá-lo no carro dos milagres.

A grande maioria, porém, ainda paga sua promessa com figuras em cera de cabeças, braços, pernas, troncos e animais. Cada uma dessas figuras, que é denominada popularmente de milagre, representa uma cura. Se a parte curada foi a cabeça, a pessoa leva uma de cera. Esses milagres são atirados para dentro do carro de milagres — um bote com crianças vestidas de marinheiro — durante todo o seu trajeto. Essa prática se tornou tão difundida, que hoje são usados vários carros de milagres, a fim de receber o elevado número de figuras em cera atirado pelos romeiros.

Muita gente também paga a sua promessa com a corda que puxa a berlinda onde se encontra a imagem da Virgem de Nazaré, e que funciona, ao mesmo tempo, como cordão de isolamento. Essa corda proporciona dois espaços vazios na frente e atrás da berlinda, impedindo que a multidão a comprima. É exatamente nesse espaço que as autoridades acompanham o Círio.

A maioria das pessoas que segura a corda está, também, pagando uma promessa. Obedecendo ao som de um apito, soprado por um dos diretores das festividades, os homens, mulheres e crianças que seguram a corda dão uma arrancada, correndo, até que o apito trile novamente, mandando que parem. Os que seguram a corda na parte de trás vão funcionando como uma espécie de freio, a fim de que o carro da berlinda não ande muito ligeiro. Por ocasião da arrancada, muita gente chega a cair e é pisada pelas outras, mas levanta e torna a segurar na corda. Com isso, o carro da santa vai andando até a basílica.

(Fonseca, Ribamar. "A maior festa do Brasil: Círio de Nazaré". Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 03 de setembro de 1969)

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