As embarcações utilizadas pelos padeiros flutuantes são regionalmente denominadas de "montarias", sendo de fabricação própria, e construídas com madeiras refugadas das numerosas serrarias locais. A mercadoria é acondicionada em pequenos engradados de madeira, colocados próximos à popa das embarcações. A reduzida capacidade dos engradados determina forte concorrência entre os inúmeros padeiros.
É bastante significativo o número de fregueses abastecido por estes vendedores ambulantes fluviais: moradores residentes nos bairros flutuantes; diversos comerciantes estabelecidos em locais percorridos pelo padeiro; "atravessadores" de todos os gêneros, provenientes do interior do estado ou de localidades adjacentes à Manaus.
Há ainda as tripulações de regatões paraenses, que carregam dos estabelecimentos comerciais para suas embarcações produtos exportáveis. Como pernoitam nos próprios barcos, são servidos, logo que amanhece o dia, pelos padeiros flutuantes.
Detalhes
A remuneração obtida pelo padeiro fluvial sofre algumas variações pois é estipulada em base de comissões; mensalmente ultrapassa de bem pouco do salário mínimo regional, vigente no estado do Amazonas. Os proprietários de padarias deduzem da féria alcançada, as despesas concernentes ao barbante e ao papel que se embrulha o pão.
Apesar de ser uma ocupação geralmente não amparada pela Consolidação das Leis Trabalhistas, é contudo bastante procurada pelas camadas sociais de níveis mais baixo que constitui a população desse estado. Podemos observar que as razões para a procura desse tipo de trabalho é motivada pela não exigência de tempo integral, freguesia certa, tendo, como natural conseqüência, remuneração fixa. Grande parte da população. O comércio ambulante fluvial da Amazônia sempre foi utilizado para longos percursos, como muito bem atesta a atuação do regatão, porém a atividade do padeiro flutuante apresentou o mérito de se adaptar o comércio ambulante fluvial aos bairros flutuantes da cidade de Manaus.