Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Outubro 2006 - Ano IX - nº 95


Sumário

Festança
Cururu e ciriri
João Ribeiro

Festa de São Benedito no Espírito Santo
Auguste François Biard

Círio de Nazaré: O arraial
Ribamar Fonseca

Cancioneiro
A menina dos meus olhos
Guilherme Santos Neves

Outra vez a menina dos meus olhos
Guilherme Santos Neves

Moda da viúva

Imaginário
O lobisomem
Carmen Dolores

O macaco e sua cauda
Carmen Dolores

Mitos astronômicos
Charles Frederik Hartt

Colher de Pau
Cochos usados nos engenhos de farinha
Franklin Cascaes

Engenho de farinha tipo cangalha
Franklin Cascaes

Os campos de Barbacena
Richard Burton

Oficina
Padeiro flutuante

Lavadeiras

Presença mascate nas praias pernambucanas
Thelma Regina Siqueira Linhares

Palhoça
Nem sempre os vocábulos indígenas têm o sentido bonitos que aceitamos
Armando Gimenez

A linguagem da mímica

Apelidos na história do Brasil
Hélio Viana

Panacéia
Botica popular e doméstica
Guilherme Santos Neves

Benzeções e medicina folclórica em Juiz de Fora
Wilson de Lima Bastos

Círio de Nazaré: As promessas
Ribamar Fonseca

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Simplicitate Design

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Imaginário
Textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas; narrativas populares; seres fantásticos...

O macaco e sua cauda

Carmen Dolores

Imaginou uma vez um macaco fazer fortuna e foi colocar-se em certo caminho, por onde tinha um carreiro de passar com seu carro.

Vendo-o assim atravessado na estrada, com a cauda estendida no ponto em que as rodas do veículo haviam por força de passar, o carroceiro gritou:

— Macaco, tira teu rabo do caminho que eu quero seguir.

O macaco respondeu:

— Não tiro!

O homem, irritado, tangeu os bois, a carroça passou por cima da cauda do macaco e cortou-a fora.

Disparou o mono em grandes berro, e por ente eles dizia:

— Eu quero meu rabo, ou então me dê uma navalha.

Para aplacá-lo, deu-lhe o cargueiro a navalha, e o macaco saiu a cantar muito alegre.

— Perdi minha cauda, ganhei uma navalha! Tinglin, tinglin! Que vou para Angola!

E seguiu.

Chegando adiante, encontrou um negro velho a fazer cestos e a cortar cipós com os dentes. Dirigiu-se a ele o macaco e disse-lhe:

— Oh, amigo velho! Coitado de você! está estragando seus dentes a cortar assim os cipós... Tome esta navalha.

O negro aceitou, mas quando foi partir um cipó, quebrou-se a navalha. O macaco abriu a boca no mundo e deitou-se a berrar:

— Eu quero a minha navalha! Eu quero a minha navalha! Ou então me dê um cesto...

O negro velho deu-lhe um cesto e ele saiu muito contente a cantar:

— Perdi meu rabo, ganhei uma navalha; perdi minha navalha, ganhei um cesto! Tinglin, tinglin! Que vou para Angola!

Seguiu.

Chegando mais longe, encontrou uma mulher fazendo pão e botando-o na saia.

— Aqui tem um cesto! — ofereceu o macaco.

A mulher aceitou, mas quando foi pôr, mas quando foi pôr dentro os pães, caiu o fundo da cesta e o macaco abriu a boca no mundo e entrou a berrar:

— Eu quero meu cesto! Eu quero meu cesto! Senão, me dê um pão.

A mulher deu-lhe o pão, e ele saiu muito satisfeito a cantar:

— Perdi meu rabo, ganhei uma navalha; perdi minha navalha, ganhei um cesto; perdi meu cesto, ganhei um pão, que vou comer! Tinglin, tinglin! Que vou para Angola!

E pôs-se a comer o pão com voracidade.

Mas o carroceiro, que não lhe perdoara a teima de se ter atravessado no caminho, para ele lhe cortar a cauda e ter depois de dar-lhe a sua navalha, esperava-o mais adiante e caiu em cima dele com um cacete, que o deixou bem convidado.

É o que acontece aos que se querem fazer espertos demais: vão esfolar e saem esfolados.

(Carmen Dolores. Lendas brasileiras; coleção de 27 contos para crianças. São Paulo, Sá Editora, 2006, p.131-133)

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