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Ano VIII - Edição 83
Outubro de 2005
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Promessa

Franklin J. Cascaes

Contou-me a senhora M. F. C. que no ano passado possuía oito galinhas entre novas e poedeiras.

Naquela ocasião, muita doença nas aves, ali pela sua vizinhança, e ela, como era natural ficou preocupada e redobrou os cuidados que, anteriormente, dispensava às suas aves.

Mas, numa manhã daquelas dias, quando a doença vinha ceifando impiedosamente, a vida de todas as galinhas de seus vizinhos, ela ao chegar no galinheiro com a ração para alimentar suas aves, encontrou quase todas, acocoradas pelo chão, já sem forças para se manterem de pé, atacadas pelo vírus da terrível moléstia.

Fez muitos remédios, mandou benzer o terreiro, mas todo seu sacrifício empregado foi em vão.

A alimentação era dada pelo bico abaixo, porque elas não dispunham mais, nem de forças para beliscarem.

Uma tarde, ao contemplar as suas aves quase agonizantes surgiu-lhe uma idéia de fazer uma promessa a uma pequena imagem de São Sebastião, que possuía, muito milagrosa e que pertenceu aos seus antepassados.

Tomou a fita, tirou a medida da imagem e amarrou um pedaço no pescoço de cada galinha doente.

Falou ao santo, que se ele concedesse a graça da cura de suas aves dar-lhe-ia uma, com direito a metade do dinheiro apurado dos ovos que ela pusesse, para comprar velas para alumiá-lo.

A outra metade destinar-se-ia então, à compra de ração para alimentá-las.

No dia seguinte, após a promessa, ao chegar na frente do galinheiro, deparou com as suas aves em pé, beliscando a comida que no dia anterior, lá ela deixara.

Chamou seus familiares e os vizinhos, e todos emocionados, contemplaram as galinhas de fita amarrada no pescoço, andando e beliscando a comida dentro do galinheiro.

Foi mais um milagre, entre tantos, que o santo lhe concedeu, disse-me a senhora.

O terrível flagelo levou todas as galinhas do vizinho, mas, as dela, graças ao santo, recuperou-as todas.

 

(Cascaes, Franklin J. "Promessa". A Gazeta. Florianópolis, 06 de setembro de 1958)
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