Contou-me a senhora M. F. C. que no ano passado possuía oito galinhas entre novas e poedeiras.
Naquela ocasião, muita doença nas aves, ali pela sua vizinhança, e ela, como era natural ficou preocupada e redobrou os cuidados que, anteriormente, dispensava às suas aves.
Mas, numa manhã daquelas dias, quando a doença vinha ceifando impiedosamente, a vida de todas as galinhas de seus vizinhos, ela ao chegar no galinheiro com a ração para alimentar suas aves, encontrou quase todas, acocoradas pelo chão, já sem forças para se manterem de pé, atacadas pelo vírus da terrível moléstia.
Fez muitos remédios, mandou benzer o terreiro, mas todo seu sacrifício empregado foi em vão.
A alimentação era dada pelo bico abaixo, porque elas não dispunham mais, nem de forças para beliscarem.
Uma tarde, ao contemplar as suas aves quase agonizantes surgiu-lhe uma idéia de fazer uma promessa a uma pequena imagem de São Sebastião, que possuía, muito milagrosa e que pertenceu aos seus antepassados.
Tomou a fita, tirou a medida da imagem e amarrou um pedaço no pescoço de cada galinha doente.
Falou ao santo, que se ele concedesse a graça da cura de suas aves dar-lhe-ia uma, com direito a metade do dinheiro apurado dos ovos que ela pusesse, para comprar velas para alumiá-lo.
A outra metade destinar-se-ia então, à compra de ração para alimentá-las.
No dia seguinte, após a promessa, ao chegar na frente do galinheiro, deparou com as suas aves em pé, beliscando a comida que no dia anterior, lá ela deixara.
Chamou seus familiares e os vizinhos, e todos emocionados, contemplaram as galinhas de fita amarrada no pescoço, andando e beliscando a comida dentro do galinheiro.
Foi mais um milagre, entre tantos, que o santo lhe concedeu, disse-me a senhora.
O terrível flagelo levou todas as galinhas do vizinho, mas, as dela, graças ao santo, recuperou-as todas.