A indignação de um sacerdote malé, pela leviandade da filha, criou o traje característico, que passou à história com o nome de "baiana". Divulgado pela inimitável Carmem Miranda em suas andanças por este e outros continentes.
Diz exatamente a lenda, que a moça bonita, filha do sacerdote malé, era demasiadamente leviana. Um dia, indignado, notou o pai que ela ia ser mãe. Para castigá-la, determinou que passasse a usar um traje humilhante, vendendo doces para ganhar a vida.
A humilhação
Diz Nina Rodrigues — Os africanos e o Brasil — que os malés eram sabiamente maometanos.
Esses impunham que suas mulheres cobrissem o corpo e, sobretudo, o rosto, com o "antifaz".
Na indumentária das baianas não existem essas coberturas.
Daí, constituir-se em traje profano, humilhante, de acordo com o ritual maometano.
Origem
Apesar da lenda, ainda está de certo modo obscura a origem das baianas.
Parece indiscutível, no entanto, que as baianas foram introduzidas no Brasil pelas negras cativas trazidas da África.
A Bahia era o primeiro porto. Lá, sem sombra de dúvida ficava a maior parte dos escravos arrebanhados no continente negro.
O nome dos trajes que, mais tarde se espalharia pelo Brasil e pelo mundo, teria então origem do primeiro porto.
Essa hipótese é, aliás, sustentada por Nina Rodrigues em Os africanos e o Brasil.
Baianas
Em A Bahia de outrora, Manuel Querino procura descrever um baiana.
Diz, entre outras coisas, que possibilite uma comprovação, parece evidente que o traje tem certa semelhança com a indumentária de alguns povos da África.
"A trunfa — diz — tem algo de árabe. O exagero dos colares e pulseiras evidência certa, apesar da falta de material que predileção africana, conseqüente da mineração da Costa do Ouro.
Afirma, a seguir, que as vestes não têm merecido melhor exame. Os acessórios, pano da costa e chinelinhas, têm oferecido material para controvérsias.
As mercadoras
Hoje, pelas esquinas da cidade, as mercadoras ambulantes armam o seu tabuleiro.
São as baianas.
Umas efetivamente nasceram na Bahia e trouxeram os seus usos e costumes, continuando a tradição, com o traje infamante dos malés. Outras, porém, nem sequer conhecem a Bahia, mas, de qualquer maneira, são baianas.
Baianas que o traje, os costumes, o acarajé e o abará e tornaram filhas da Boa Terra, tanto quanto verdadeiramente nativas.