Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Outubro 2005 - nº 83 - Ano VIII


Sumário

Festança

Serestas e seresteiros
Marisa Lira>

Festas do jangadeiros
Joaquim Ribeiro

As bandas de música
Mário Sette

Cancioneiro

O votante
Juvenal Galeno

Tonis (Nau Catarineta)

Um noivado no Rincão do Buraco

Imaginário

A rã e a raposa
Figueiredo Pimentel

Negrinho do pastoreio
Darci Azambuja

Casos do Romualdo
João Simões Lopes Neto

Colher de Pau

Nove sopas
Marisa Lira

O mate no folclore gaúcho
Anete de Castro Matos

O caruru de Cosme e Damião
Edison Carneiro

Oficina

O anu-preto

Promessa
Franklin J. Cascaes

Orações
Manuel Diegues Júnior

Palhoça

A humilhação de um malé criou o traje das baianas
Fernando Barreto

A paisagem fluvial
Saul Martins

Folclore do chifre
Eduardo Campos

Panacéia




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Imaginário
Textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas; narrativas populares; seres fantásticos...

A rã e a raposa

Figueiredo Pimentel

A raposa foi um dia beber água à beira de um regato. A rã que por ali perto estava mergulhada, mas conservando a cabeça de fora, coaxou.

— Sai-te daí, disse a raposa, senão eu te engolirei de um trago!

— Ora! deixa-te de fanfarronadas, raposa! Estás com estes ares de rainha, porque pensas que corres muito, e no entanto eu sou capaz de te passar.

A raposa pôs-se a rir daquela tola pretensão, mas como a rã insistisse, falou:

— Pois bem! façamos uma aposta e vamos ver quem chega primeiro daqui à cidade vizinha.

Combinado tudo, cada um dos dois irracionais escolheu lugar da partida.

A rã, porém, apanhando a raposa descuidada deu um pulo sobre ela, escondeu-se na sua cauda comprida e cheia de pêlos.

Corria velozmente a raposa, e no fim de pouco tempo chegou à cidade vizinha.

Aí não viu a rã; e voltando-se para ver se lhe pressentia a chegada, a rãzinha aproveitou e saiu do seu esconderijo, saltando ao chão.

— Eh! raposa! — gritou ela, — agora é que estás chegando? Pois eu venho de volta.

A outra, assim enganada, confessou que perdera a aposta, ao passo que a rã, satisfeita da vida, teve proclamada a sua astúcia por todo o mundo.

(Pimentel, Figueiredo. Histórias da baratinha. Rio de Janeiro; Belo Horizonte, Livraria Garnier, 1994  (Biblioteca de Autores Célebres da Literatura Infantil, 2), p.89-90)
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