Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Ano VIII - Edição 83
Outubro de 2005
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A rã e a raposa

Figueiredo Pimentel

A raposa foi um dia beber água à beira de um regato. A rã que por ali perto estava mergulhada, mas conservando a cabeça de fora, coaxou.

— Sai-te daí, disse a raposa, senão eu te engolirei de um trago!

— Ora! deixa-te de fanfarronadas, raposa! Estás com estes ares de rainha, porque pensas que corres muito, e no entanto eu sou capaz de te passar.

A raposa pôs-se a rir daquela tola pretensão, mas como a rã insistisse, falou:

— Pois bem! façamos uma aposta e vamos ver quem chega primeiro daqui à cidade vizinha.

Combinado tudo, cada um dos dois irracionais escolheu lugar da partida.

A rã, porém, apanhando a raposa descuidada deu um pulo sobre ela, escondeu-se na sua cauda comprida e cheia de pêlos.

Corria velozmente a raposa, e no fim de pouco tempo chegou à cidade vizinha.

Aí não viu a rã; e voltando-se para ver se lhe pressentia a chegada, a rãzinha aproveitou e saiu do seu esconderijo, saltando ao chão.

— Eh! raposa! — gritou ela, — agora é que estás chegando? Pois eu venho de volta.

A outra, assim enganada, confessou que perdera a aposta, ao passo que a rã, satisfeita da vida, teve proclamada a sua astúcia por todo o mundo.

 

(Pimentel, Figueiredo. Histórias da baratinha. Rio de Janeiro; Belo Horizonte, Livraria Garnier, 1994  (Biblioteca de Autores Célebres da Literatura Infantil, 2), p.89-90)
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