Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Outubro 2005 - nº 83 - Ano VIII


Sumário

Festança

Serestas e seresteiros
Marisa Lira>

Festas do jangadeiros
Joaquim Ribeiro

As bandas de música
Mário Sette

Cancioneiro

O votante
Juvenal Galeno

Tonis (Nau Catarineta)

Um noivado no Rincão do Buraco

Imaginário

A rã e a raposa
Figueiredo Pimentel

Negrinho do pastoreio
Darci Azambuja

Casos do Romualdo
João Simões Lopes Neto

Colher de Pau

Nove sopas
Marisa Lira

O mate no folclore gaúcho
Anete de Castro Matos

O caruru de Cosme e Damião
Edison Carneiro

Oficina

O anu-preto

Promessa
Franklin J. Cascaes

Orações
Manuel Diegues Júnior

Palhoça

A humilhação de um malé criou o traje das baianas
Fernando Barreto

A paisagem fluvial
Saul Martins

Folclore do chifre
Eduardo Campos

Panacéia




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Cancioneiro
Textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...

Tonis (Nau Catarineta)

A nau estava navegando e não podia encalhar por causa de Tonis, o diabo, que não deixava de forma nenhuma:

— Avistei três donzelas
Debaixo de um palmeiral
Eu te dou uma delas, Tonis
Para contigo casar

Ele chegou e disse:

— Eu não quero a sua filha
Que te custou a criar
Só quero o teu navio, Tonis
Para nele eu navegar

Mas o homem não podia chegar em terra, que Tonis não deixava, aí ele chegou e disse:

— Avistei o meu cavalo
Prontinho na estrebaria
Eu te dou o meu cavalo, ô Tonis
Para tu passear um dia

— Não quero o teu cavalo
Que te custou a comprar
Só quero o teu navio, ô Tonis
Para nele eu navegar

— Avistei minha criada
De minha estimação
Eu te dou minha criada, ô Tonis
Para ti não tem preço não

— Não quero tua criada
Que te custou a ganhar
Só quero o teu navio, ô Tonis
Para nele eu navegar

Não quis nada do que ele ofertou, chegou ele e disse assim:

— Já hoje faz três dias
Que meu navio não quer encalhar
Se tu és o diabo, ô Tonis
No inferno vá t'estourar

O diabo estourou e ele chegou em terra.

 

Versão colhida em Aracaju, Sergipe, em 20 de maio de 1972. Informante: Maria José, de Pedra Branca

(Em Lima, Jackson da Silva. O folclore em Sergipe; 1. Romanceiro. Rio de Janeiro, Livraria Cátedra; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1977, p.104-106)
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