A nau estava navegando e não podia encalhar por causa de Tonis, o diabo, que não deixava de forma nenhuma:
— Avistei três donzelas
Debaixo de um palmeiral
Eu te dou uma delas, Tonis
Para contigo casar
Ele chegou e disse:
— Eu não quero a sua filha
Que te custou a criar
Só quero o teu navio, Tonis
Para nele eu navegar
Mas o homem não podia chegar em terra, que Tonis não deixava, aí ele chegou e disse:
— Avistei o meu cavalo
Prontinho na estrebaria
Eu te dou o meu cavalo, ô Tonis
Para tu passear um dia
— Não quero o teu cavalo
Que te custou a comprar
Só quero o teu navio, ô Tonis
Para nele eu navegar
— Avistei minha criada
De minha estimação
Eu te dou minha criada, ô Tonis
Para ti não tem preço não
— Não quero tua criada
Que te custou a ganhar
Só quero o teu navio, ô Tonis
Para nele eu navegar
Não quis nada do que ele ofertou, chegou ele e disse assim:
— Já hoje faz três dias
Que meu navio não quer encalhar
Se tu és o diabo, ô Tonis
No inferno vá t'estourar
O diabo estourou e ele chegou em terra.
Versão colhida em Aracaju, Sergipe, em 20 de maio de 1972. Informante: Maria José, de Pedra Branca