Numa rápida leitura dum trabalho folclórico da República de São Domingos, onde a população de mulatos, em virtude da proximidade de Haiti, é numerosa encontrei uma série de superstições, algumas semelhantes às nossas.
Por exemplo, em tradução quase livre:
Uivo de cachorro, nas proximidades de casa onde haja enfermo, é sinal de morte.
Santo de coruja próximo, ou repouso num telhado é sinal de morte dum membro da família.
Quando touro ou vaca muge ao entrar numa cidade, é certa a morte de pessoa de importância.
Quando em cerimônia de casamento se apaga na mão de alguém uma vela, é sinal de morte próxima de quem a sustinha.
Se uma galinha canta como galo, ocorrerá alguma desgraça ao dono.
Quando a palma da mão direita coça, é dinheiro que há de vir. Na mão esquerda, ao contrário.
Quando caranguejos formam grupos fora d'água, é sinal de chuva.
Quem dorme com os pés para a frente da casa atrai a morte.
Comerciante que vende fiado pela manhã passará o resto do dia em dificuldade com os clientes.
Casal que tem compromisso de casamento não deve fazer presente de objeto perfurante, sob pena de ser roto o pacto.
De quem bebe café em pé se baralham os planos.
Dá má sorte ir a bodas vestido de preto.
Abrir chapéu de sol dentro de casa atrai desgraça.
Brotinho que, vendo um padre, na rua, não cobre a cara com as mãos, fica no caritó.
Quem se banha em rio, na Quinta-feira Santa, ou morrerá afogado, ou virará peixe.
Arroz semeado na Sexta-feira Santa não grela.
Ordenhar na Sexta-feira Santa faz o leite virar sangue.
É calamitoso casar na terça-feira, na sexta-feira ou no mês de novembro. Na Espanha se diz, En Martes ni te cases ni te embarques.
E faço ponto para doutra vez continuar.