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Ano IX - Edição 96
Novembro de 2006
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Medicina popular

José Maria Tenório Rocha

De origem portuguesa, ou européia, com contribuições do africano e larga origem ameríndia, a medicina popular, apesar de todo avanço farmacológico, ainda é bastante empregada em Alagoas.

Existem três remédios cujas virtudes medicinais foram descobertas em Alagoas:

O açúcar para estancar hemorragia. Coloca-se açúcar no algodão e em seguida põe-se em cima do ferimento, ficando sarado. Como Alagoas é um dos estados que mais produz açúcar e como o remédio citado não foi registrado por nenhum folclorista, talvez seja alagoana a prática.

O uso do amendoim, empregado para os casos de urticária, ou sangue-novo, como é chamado popularmente. O amendoim funciona como antialérgico. A genitora do mestre Téo Brandão usou uma espécie de leite de amendoim para ingerir e o bagaço foi passado no corpo e dentro de dez minutos tinha desaparecido completamente a urticária.

O terceiro remédio, também usado em outras partes do Brasil, mas merece registro aqui, porque foi estudado por uma professora casada com um alagoano. Ela chegou a isolar as substâncias antigliceriantes da entrecasca do cajueiro vermelho. Existem pessoas em Alagoas que controlam o diabete com o chá de cajueiro.

Lages Filho, em A medicina popular em Alagoas, cita, para cura de doença dos olhos, o pó feito do casco do sururu; e, como só existe sururu em Alagoas, pensamos ser este remédio alagoano, mas, o livro Anchora medicinal para conservar a vida com saúde, escrito pelo doutor Francisco da Fonseca Henriquez, publicado em 1721, pelo médico do sereníssimo rei de Portugal, dom João VI, está citado: "cinza dos mexilhões lavada serve para as caligens e névoa dos olhos".

Otávio Brandão estudou a Flora medicinal Alagoana e parte de seu trabalho foi transcrita no Boletim alagoano de folclore, do qual citamos:

Vassoura-de-botão: Expectorante.

Mata-pasto: Usada contra impaludismo e desarranjos uterinos.

Manjerioba: Empregada para hepatite.

Malva-branca: malvácea. Emoliente.

Meladinha: labiada. Para rabugem de cachorro.

Cansanção: O suco da medula é excelente para inflamação dos olhos.

Cipó-chumbo: convolvuláceas, preconizada como expectorante.

Coroa-de-frade: diurético. Não confundir com cordão-de-fadre.

Angelim: Contra lombrigas.

Folha-de-urubu: para os tecidos chagados.

Almecegueira: terebintácea. Dores de cabeça.

Samambaia: Usada para os estados febris.

Erva calor: Preconizada contra sífilis.

 

(Rocha, José Maria Tenório. Folclore brasileiro: Alagoas. Rio de Janeiro, Funarte, 1977)
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