Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Novembro 2006 - Ano IX - nº 96


Sumário

Festança
A zabumba
Valdemar Valente

Congadas de Santa Isabel
Ruth Guimarães

Danças, festas e instrumentos musicais de origem bantu
Artur Ramos

Cancioneiro
História do bicho sete-cabeças
Minelvino Francisco Silva

Saci
Joaquim Queiroz Filho

O treno do beija-flor

Imaginário
Como a lua chegou ao céu

Quirino, vaqueiro do rei

O preguiçoso
Carmen Dolores

Colher de Pau
Memória e queijo
Guilherme Santos Neves

Tradições cuiabanas: O guaraná
Rubens de Mendonça

Versos de brindes
Afonso Cláudio

Oficina
Vendedores ambulantes
Jorge Americano

Tinturaria
Saul Martins

Vassoura
Maria Rita da Silva Lubatti

Palhoça
Cantando e dançando
Ademar Vidal

Ritos de morte
Alceu Maynard Araújo

O culto aos mortos
Adelino Brandão

Panacéia
Defuntos e almas do outro mundo
F. A. Pereira da Costa

Medicina popular
José Maria Tenório Rocha

Ontem, hoje e amanhã
Mário Melo

Veja o que foi publicado em Colher de Pau
Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Colher de Pau
Textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...

Versos de brindes

Afonso Cláudio

Não eram só os cantos e danças, os desafios, os motes e glosas, as festas religiosas com leilões de prendas, a puxada e fincamento de mastros em louvor dos santos da devoção e as regatas, as únicas manifestações de expressão dos sentimentos populares.

As saúdes, em datas aniversárias de nascimento, nos batizados e casamentos, foram outras tantas fontes de inspiração da lira das turbas.

Os bardos de mesa, porém, eram sempre tirados dentre as pessoas não só mais gradas, como mais instruídas do lugar porquanto as saúdes tinham de ser improvisadas, cantadas ou recitadas e, pois, concebidas em termos adequados ao acontecimento a festejar. Daí resultava que o professor primário, o escrivão do juiz de paz e o coletor provincial, pelo improviso a que se acostumaram, tornaram-se figuras indispensáveis nessas reuniões.

Era assim a saúde por motivo de casamento:

Unido pelo himeneu
Aqui está um par ditoso
Neste dia jubiloso
Em que ela se prometeu
Por consorte ao venturoso
Mancebo que a desposou
Venham os cantores e flores
Consagrados laços de amores
Que esta festa consumou
Enquanto eu no alaúde
Canto, bebendo à saúde
Dos bem-casados de agora
Venha de vinho um almude
Do melhor e do mais puro
Seja de rosas, senhora
Vosso caminho futuro

Saúde em festa de aniversário natalício:

No dia em que nasceste, linda Rosa
Trinaram os passarinhos seus amores
Celebrando a data venturosa
Do rubro botão da flor das flores

Crescestes e quis Deus que à formosura
Com que te brindou a natureza
Juntasses o primor duma alma pura
E por isso és a Rosa da pureza

Saúde em festa batismal:

Nas águas santas do batismo
Entraste da fé na trilha
Foi a luz do cristianismo
Que te coube em partilha

Sê contente e sê feliz!
A lua que luz no espaço
Inveja-te a sorte e diz:
— Quisera ter-te em me regaço

 

Nota: Estas saúdes como que são na poesia espírito-santense a transição entre o verso de salão e o dos motes e glosas. As que ora publico são da musa do falecido Pedro Alexandrino Mascarenhas.

(Cláudio, Afonso. Trovas e cantares capixabas. 2ª ed. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura; Fundação Cultural do Espírito Santo, 1980, p.41-42)

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