Os barranqueiros, povoadores da região ribeirinha, vivem de pequena agricultura e da pesca.
O roçado, geralmente, feito no humus deixado pela vazante, obedece à tradição da pequena lavoura, com fins autárquicos e de caráter transitório, conhecido em quase todo o Brasil roceiro.
A pesca, aí, apresenta-se com alguns aspectos originais. Um dos processos típicos da região é a pesca com o caçador. Assim descreve Cavalcanti Proença:
"Consiste em colocar uma cabeça poitada, flutuando sobre as águas, à qual está amarrada uma linha de pescar."
A isca é um peixinho vivo.
"Posto o aparelho, o caboclo vai cuidar da vida no roçado, deixando ao caçador a tarefa da pesca automática."
Nesses sertões, encontra o homem árvores benfazejas, que são magníficos presentes da natureza: o umbu, a carnaúba e o buriti.
Da carnaúba, segundo relata o escritor D. Martins de Oliveira, no livro No país das carnaúbas, o sertanejo tira inúmeros benefícios: cera, palma, alimento etc.
O buriti, mais freqüente na região ribeirinha, é outra árvore privilegiada. Dela tiram tudo. Cobrem as casas com as suas palmas. Usam os pecíolos como caibros nas casas e, com eles, fazem estrados das camas e balsas para o rio.
Aproveitam as fibras para a feitura de linhas de pescar, cordas e redes. Das folhas fazem cestos e abanos. A saeta e a polpa de seus cocos utilizam na alimentação. E nas épocas da seca, tiram água da formosa palmeira.
O buriti é de tal utilidade que Martius nos conta que em São Romão costumava-se dar um buritizal como dote de casamento.