Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Novembro 2005 - nº 84 - Ano VIII


Sumário

Festança

Festejos de pescadores
Carl Seidler

Foiçada

Quermesse de partido
C. Nery Camelo

Cancioneiro

Trovas funerárias ciganas (Merendis), colhidas por Melo Morais Filho

O preguiçoso, duas versões do folclore sergipano

Milho cozido
Afonso A. de Freitas

Imaginário

Novos casos do Romualdo
João Simões Lopes Neto

Divindades, bichos e assombrações da ribeira
Wilson Lins

O cágado e o gambá
Figueiredo Pimentel

Colher de Pau

Da pesca do Piri
Yves d'Evreux

Fabrico do vinho
Antônio Egídio Martins

A mandioca
Marina de Andrade Marconi

Oficina

Mascates
Mário Sette

A armação das baleias
Carl Seidler

Artesanato caiçara recobra suas forças

Palhoça

A carreta do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso
Bernardino José de Souza

Da nudez dos índios tupinambás e dos enfeites que usam algumas vezes
Claude d'Abbeville

Os barranqueiros do São Francisco
Joaquim Ribeiro

Panacéia

O mundo mítico dos sertanejos
Joaquim Ribeiro

Epitáfios folclóricos
Luiz R. de Almeida

Da morte e dos funerais dos índios
Yves d'Evreux

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Colher de Pau
Textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...

Fabrico do vinho

Antônio Egídio Martins

Com relação à cultura da uva e ao fabrico do vinho, o presidente da província de São Paulo, no seu relatório de 1872, diz que "o primeiro que empreendeu fabricar o vinho nesta província foi um húngaro, de nome Hugo Thermacis, homem já de avançada idade, que, vindo a São Paulo sem ter conhecimento do clima e formações geológicas das circunvizinhanças desta cidade, faz a sua plantação das únicas espécies de uvas que aqui existiam, trazidas de Portugal, e vulgarmente conhecidas pelos nomes de moscatel e bastarda, havendo falecido esse primeiro vinhateiro, sem haver auferido o menor resultado de suas fadigas e sacrifícios.

"Alguns anos depois, começou a aparecer a uva americana, vulgarmente chamada isabela, que, em razão de sua prodigiosa força e abundância, vulgarizou-se com grande rapidez, sem que, entretanto, alguém pensasse em aplicá-la ao fabrico do vinho, até que o paulista Joaquim Xavier Pinheiro, homem curioso, empreendedor e tenaz, lembrou-se de dar-lhe essa aplicação.

"Os seus primeiros ensaios tiveram lugar na cidade de Mogi das Cruzes; e como eles se mostrassem de alguma sorte animadores, mudou a sua plantação para as proximidades desta capital, em um sítio que possuía a légua e meia de distância no qual teve com a maior constância e tenacidade trabalhado para melhorar os seus vinhos, devendo ser o mesmo Joaquim Xavier Pinheiro considerado como o primeiro introdutor desta indústria em São Paulo".

Depois de Joaquim Xavier Pinheiro, que faleceu na idade de 71 anos, a 01 de outubro de 1875, outros cidadãos trataram da mesma cultura da uva, e entre esses o conselheiro João da Silva Carrão, falecido a 04 de junho de 1888 na cidade do Rio de Janeiro, que possuiu um grande sítio na freguesia da Penha; Joaquim Marcelino da Silva (Califórnia), que também possuiu um sítio na mesma freguesia da Penha, nas margens do rio Aricanduva; Antônio da Rocha Leão, João Bohemer, o cidadão norte-americano e cirurgião-dentista Horácio Tower Fogg, falecido a 20 de novembro de 1877, e que em 1877 publicou no Correio Paulistano, um importante trabalho sobre a cultura do vinho, e possuiu uma chácara no bairro do Pari (Brás), e o coronel Inácio José de Araújo, que possuiu na avenida Rangel Pestana, esquina do largo da Concórdia, uma grande chácara, na qual tinha grande parreiral, que lhe dava uma vantajosa produção anual de vinho.

O coronel Inácio José de Araújo que, com sua família, residia na mesma chácara, que hoje tem o número 281, em frente ao sobrado pertencente a Francisco de Paula Rodrigues Caquito, que fica situado na mesma avenida Rangel Pestana, esquina da rua Joaquim Nabuco número 238, foi casado com dona Inácia Joaquina dos Santos, irmã do cadete Santos (barão de Itapetininga) e faleceu a 17 de setembro de 1890, na idade de 81 anos, tendo recebido, em 1833, o grau de bacharel da Faculdade de Direito de São Paulo e ocupou diversos cargos de nomeação do governo e eleição popular. Foi vereador, deputado provincial, juiz municipal e de órfãos e coronel comandante superior da antiga Guarda Nacional e possuía a comenda da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(Martins, Antônio Egídio. São Paulo antigo; 1554 a 1910. São Paulo, Tipografia do Diário Oficial, 1912, v.2)
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