Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Ano VIII - Edição 84
Novembro de 2005
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Milho cozido, por Afonso A. de Freitas



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Milho cozido

Afonso A. de Freitas

Milho cozido é canjica
Homem sem roupa anda nu
Mexe a colher o angu
Ana qualquer é Anica
A filha de mono é mica
Pedaço de carne é naco
O prato quebrado é caco
Quem toma pelo nariz
A tudo que encontra diz
Fumo moído é tabaco

Ferve o caldo na panela
Pula até com ligeireza
Por ordem da natureza
Não há padre sem costela
Salta no campo a vitela
Hoje o rabisco é pintura
Mel coado é rapadura
Há no mato a pacova
Buraco no chão é cova
Banha de porco é gordura

Nariz comprido é beque
Queijo fresco é requeijão
Filho de galinha é pinto
Menino guloso é mamão
Gente oferecida é fressura
Todo o bronco é cavalo
Galinha sem rabo é sura
Pelote na testa é galo
Por causa dessa trelência
Todo ministro é excelência

Filho de porco é leitão
Milho estalado é pipoca
Esconde-se o negro na toca
Quem é pequeno é anão
Homem que furta é ladrão
Um pau no bilhar é taco
Mora o tatu no buraco
Adão foi feito de barro
Fumo picado é cigarro
Lasca de pau é cavaco

 

(Em Freitas, Afonso A. de. Tradições e reminiscências paulistanas, 1921. São Paulo, Ed. da Revista do Brasil, Monteiro Lobato e cia., 1921, p.98-100)
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