Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Novembro 2004 - nº 72 - Ano VII


Sumário

Festança

Os enterros de Inhaúma
Lima Barreto

Quarup

A caninha verde
Joaquim Ribeiro

Cancioneiro

A peleja do cego Aderaldo com José Franco

Quadras populares, Recolhidas por Téo Azevedo e Hermes de Paula

A mulatinha, Colhida em Sergipe | Sílvio Romero

Imaginário

Os três coroados, Colhida por Sílvio Romero em Sergipe

Seres sobrenaturais e fantásticos
Alfredo do Vale Cabral

Melancia — Coco Verde
João Simões Lopes Neto

Colher de Pau

Peixes
Robert Walsh

Das comidas
Nélson Palma Travassos

Cozinha brasileira?... Só em casa ou em livro

Oficina

O mutirão
Mário Sette

Artesanato do Jequitinhonha – A riqueza maior que nasce das mãos humildes

As "redes de balanço"de Sorocaba
Rossini Tavares de Lima

Palhoça

A roda
Mário Sette

Apelidos
Laura Della Monica

O velório no interior pernambucano

Panacéia

Trabalhos fúnebres populares
Edison Carneiro

Kaingang repelem os brancos e voltam a praticar o ritual do kiki ou fandango
Homero Gomes e Regina Costa

Recados da Bahia
Stela Câmara Dubois

Veja o que foi publicado em Colher de Pau
Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Colher de Pau
Textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...

Peixes

Robert Walsh

Há peixe com fartura, mas não têm nada de especial. Os pitus são enormes e lembram pequenas lagostas. As ostras são disformes, compridas e fundas, com uma concha muito grossa. É muito arriscado comê-las, mesmo em quantidades mínimas, pois produzem nos estrangeiros um violento efeito catártico. A tainha existe em abundância e sua carne é saborosa.

Há uma espécie de peixe-cabra com enormes nadadeiras peitorais, do tamanho de seu corpo e mais largas proporcionalmente do que as dos peixes-voadores, embora eu ache que não sejam usadas como asas. Esses peixes eram pescados com freqüência bem em frente à nossa janela. A comida da Quaresma é o bacalhau seco vindo de Newfoundland.

Dentre os peixes mais comuns da baía existe um sobre o qual contam histórias extraordinárias. É chamado a mara.A carne desse peixe quando jovem é considerada de ótima qualidade; mas quando o animal cresce, adquire dimensões extraordinárias e se torna muito voraz. Por causa disso, os monges do convento de São Bento pagavam antigamente grandes somas de dinheiro por todo espécime que fosse morto. O coronel Cunningham disse-me que há dezesseis anos, três pessoas foram devoradas por esse peixe em diferentes pontos da baía. Um deles foi pego logo após ter devorado um homem na Praia Grande e ficou exposto na Alfândega. Segundo o coronel foramnecessários dez homens para carregar opeixe; suas escamas eram do tamanho de uma moeda de um dólar.

Não há notícias recentes de que alguém tenha visto algum deles, mas os boatos sobre sua existência ainda impedem as pessoas de se banharem nas águas da baía. Os negros, que nadam em qualquer lugar, nunca se aventuram em águas acima de seus joelhos, e raramente se vêem brancos nadando aí. Na baía não há perigo de tubarões.

 

[1828-1829]

(Walsh, Robert. Notícias do Brasil; 1828-1829. Belo Horizonte, Editora Itatiaia; São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1985, v.1, p.214-215)
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