Há peixe com fartura, mas não têm nada de especial. Os pitus são enormes e lembram pequenas lagostas. As ostras são disformes, compridas e fundas, com uma concha muito grossa. É muito arriscado comê-las, mesmo em quantidades mínimas, pois produzem nos estrangeiros um violento efeito catártico. A tainha existe em abundância e sua carne é saborosa.
Há uma espécie de peixe-cabra com enormes nadadeiras peitorais, do tamanho de seu corpo e mais largas proporcionalmente do que as dos peixes-voadores, embora eu ache que não sejam usadas como asas. Esses peixes eram pescados com freqüência bem em frente à nossa janela. A comida da Quaresma é o bacalhau seco vindo de Newfoundland.
Dentre os peixes mais comuns da baía existe um sobre o qual contam histórias extraordinárias. É chamado a mara.A carne desse peixe quando jovem é considerada de ótima qualidade; mas quando o animal cresce, adquire dimensões extraordinárias e se torna muito voraz. Por causa disso, os monges do convento de São Bento pagavam antigamente grandes somas de dinheiro por todo espécime que fosse morto. O coronel Cunningham disse-me que há dezesseis anos, três pessoas foram devoradas por esse peixe em diferentes pontos da baía. Um deles foi pego logo após ter devorado um homem na Praia Grande e ficou exposto na Alfândega. Segundo o coronel foramnecessários dez homens para carregar opeixe; suas escamas eram do tamanho de uma moeda de um dólar.
Não há notícias recentes de que alguém tenha visto algum deles, mas os boatos sobre sua existência ainda impedem as pessoas de se banharem nas águas da baía. Os negros, que nadam em qualquer lugar, nunca se aventuram em águas acima de seus joelhos, e raramente se vêem brancos nadando aí. Na baía não há perigo de tubarões.
[1828-1829]