Estava de noite
Na porta da rua
Proveitando a fresca
Da noite de lua
Quando vi passar
Certa mulatinha
Camisa gomada
Cabelo entrançadinho
Peguei o capote
Saí atrás dela
No virar do beco
Encontrei com ela
Ela foi dizendo:
"Senhor, o que quer?
Eu já não posso
Estar mais em pé"
Olhei-lhe pras orelhas
Vi-lhe uns brincos finos
Na réstea de luz
Estavam reluzindo
Olhei pro pescoço
Vi um belo colar
Estava a mulatinha
Boa de se amar
Olhei-lhe pros olhos
Vi bem foi ramela
De cada um torno
Bem dava uma vela
Olhei-lhe pra cara
Não lhe vi nariz
No meio do rosto
Tinha uma cicatriz
Olhei-lhe pra boca
Não lhe vi um só dente
Parecia o diabo
Em figura de gente
Olhei-lhe pros peitos
Eram de marmota
Pareciam bem
Peitos de uma porca
Olhei-lhe pras pernas
Eram de vaqueta
Comidas de lepra
E cheias de greta
Olhei-lhe pros pés
Benzi-me de medo
Tinha cem bichos
Em cada um dedo