Sete e sete são
quatorze
Com mais sete vinte e um
Soletra quem sabe ler
A paixão de cada um
Meu benzinho não
é este
Nem aquele que lá vem
Meu benzinho está de branco
Não mistura com ninguém
Menina dos olhos
pretos
Sobrancelhas de retrós
Dá um pulo na cozinha
Vá coar café prá nós
Quem quiser
pegar morena
Arma um laço na parede
Que inda ontem peguei uma
Morena dos olhos verdes
Em cima daquela
serra
Tem um ninho de carcará
Quando olho pra tua cara
Dou vontade de lançar
Atirei meu limão
verde
Lá atrás da sacristia
Deu no ouro, deu na prata
Deu na moça que eu queria
Limoeiro
pequenino
Carregado de limão
Eu também sou pequenino
Carregado de inluzão
Eu plantei e
semeei
Carrapicho na “colonha”
A coisa que tenho raiva
É gente branca sem vergonha
A laranja de
madura
Caiu nágua foi ao fundo
Os peixinhos estão gritando
Viva dom Pedro Segundo
Esta noite à
meia-noite
Me cantava um gavião
Parecia que falava
Maria, meu coração
Cravo branco na
janela
É sinal de casamento
Menina tira seu cravo
Inda não chegou seu tempo
Toda vez que
considero
Que tenho de te deixar
Me foge o sangue na veia
E o coração do lugar
A garça pôs o pé
n’água
Pode estar quarenta dia...
Eu fora do meu bem
Nem uma hora, nem um dia
Menina dos olhos
pretos
Sobrancelhas de veludo
Vamos berganhar os olhos
Com sobrancelhas e tudo
Lá do céu caiu
um cravo
De tão alto desfolhou
Quem quiser casar comigo
Vai pedir quem me criou
Eu joguei meu
limão verde
Numa moça na janela
O limão caiu no chão
E eu caí no colo dela
Limoeiro
pequenino
Carregado de “fulô’
Eu também sou pequenino
Carregado de “amô”
A perdiz pia no
campo
Comendo seu capinzinho
Quem tem amor anda magro
Quem não tem, anda gordinho
Anum é pássaro
preto
Pássaro do bico rombudo
Foi praga que Deus deixou
Pra todo negro beiçudo
Em cima daquela
serra
Passa boi, passa boiada
Também passa moreninha
De cabelo cacheada
Batatinha quando
nasce
Esparrama pelo chão
Meu benzinho quando dorme
Põe a mão no coração
Cigarrinho de
papel
Fumo verde não fumega
Eu vejo moça bonita
Meu coração não sossega
As moças daqui
da terra
Passam fome porque quer
Tanto coco macaúba
Tanto buriti no pé
Um coqueiro de
tão alto
Que dá coco na raiz
Uma moça bonitinha
Com três palmos de nariz
Meu amor é só
meu
Não é de mais ninguém
Quem tiver inveja dele
É fazer assim também
Amanhã eu vou-me
embora
Eu não vou-me embora não
Se eu tivesse de ir-me embora
Eu não estava aqui mais não
O anel que tu me
deste
Era de vidro e quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e já acabou
Caititu do
Mato-Grosso
Corre mais do que cotia
Quando vejo mulher velha
Dou bênção e chamo tia
Se essa rua
fosse minha
Eu mandava ladrilhar
Ou de ouro, ou de prata
Para meu bem passear
Alecrim da beira
d’água
Não se corta de machado
Corta só de canivete
Cara de sapo rejado
Minha mãe me deu
um pente
Todo crivado de ouro
Para fazer uma pastinha
Na janela do namoro
Duas correntes
pesadas
Eu arrasto sem poder
Uma é do meu capricho
Outra é do meu dever
Bate bate
coração
Arrebenta este peito
Como cabe tanta mágoa
Num espaço tão estreito?
Da Bahia me
mandaram
Um presente num canudo
Tinha mais de conto de réis
Fora o dinheiro miúdo
Ninguém viu o
que vi hoje
Um macaco fazer renda
E também vi um peru
Caxeirando numa venda
Camisinha de meu
bem
Não se lava com sabão
Lava com raminho verde
Água no meu coração
Você disse que
vai embora
Eu também já quero ir
Você disse não vai mais
Eu também “arresorvi”
Lá no céu tem
três estrelas
Todas três encarrilhadas
Uma é minha, outra é sua
Outra de minha namorada
Mandei fazer um
sobrado
De vinte e cinco janelas
Pra prender moça bonita
Morena cor de canela
Em cima daquela
serra
Tem um caldeirão de ferro
Quem falar de minha vida
Está na porta do inferno
Calango desceu
pra baixo
Foi vender sua farinha
Lagartixa respondeu
Vende a sua e deixa a minha
Lá no céu tem
três estrelas
Vestidinhas de nobreza
Quem quiser casar comigo
Não repare minha pobreza
Trepei num morro
de fogo
Com “precata” de algodão
Desci numa ponta de nuvem
Com mil coriscos na mão
Eu não dou a mão
rapaz
Nem que seja meu parente
Porque rapaz tem o defeito
De apertar a mão da gente
Comprei uma
camisinha
Que custou mil e quinhento
Toda vez que visto ela
Acho muito casamento
O anel que tu me
deste
Na procissão do Senhor
Era frouxo no meu dedo
Acochado no amor
Da folha da
bananeira
Pingou três pingos de prata
Da família de meu bem
É só ele quem me mata
Em cima daquela
serra
Corre água sem chover
Os mocinhos da cidade
Me namoram sem me ver
Essas meninas
dagora
Só sabem namorar
Botam a panela no fogo
E não sabem temperar
Menina de olhos
pretos
Que inda ontem eu reparei
Se há mais tempo eu reparasse
Eu não amava quem amei
Lá vai a garça
voando
Com as penas que Deus lhe deu
Contando pena, por pena
Mais pena padeço eu
Eu plantei um pé
de rosa
Para te dar um botão
O pé de rosa morreu
Eu te dou meu coração
Baixa baixa
serraria
Que eu quero ver a cidade
Meu amor aqui tão perto
E eu morrendo de saudade
Amanhã eu vou-me
embora
Pela semana que vem
Quem não me conhece chora
Que fará quem me quer bem
Se eu soubesse
quem tu eras
Quem tu havia de ser
Meu coração não te dava
Para agora eu padecer
Você disse que
bala mata
Bala não mata ninguém
A bala que mais me mata
São os olhos de meu bem
Menina toma esta
uva
Da uva faça seu vinho
Seus braços serão gaiola
Eu serei seu passarinho
A folha da
bananeira
De tão verde amarelou
O beijinho de meu bem
De tão doce açucarou
Você disse que
sou bonita
Mais bonito é seu cabelo
Cada cacho vale um conto
Cada conto vale um selo
Um coqueiro de
tão alto
Pôs a rama na Bahia
Onde tem moço solteiro
Casado não tem valia
Lá no céu tem
nuvem
Mas não é para chover
Antes de chegar domingo
Meu benzinho vem cá me ver
Sete cravos sete
rosas
Na ponta de um alfinete
Meu benzinho está no meio
Servindo de ramalhete
Toda vez que o
galo canta
No retiro onde moro
Me lembro do meu benzinho
Saio do terreiro e choro
Lá no céu está
trovejando
Mas não é para chover
Meu benzinho está doente
Mas não é para morrer
Sete e sete são
quatorze
Com mais sete vinte e um
Eu tenho sete namorados
Mas eu gosto é só de um
Sexta-feira faz
um ano
Que meu coração fechou
Quem morava dentro dele
Tirou a chave e levou
Joguei o branco
n’água
O moreno no jardim
Quem quiser o branco eu dou
O moreno é só para mim
Eu tenho um
vestidinho
Todo cheio de babado
Toda vez que visto ele
Quarenta e cinco namorado
Em cima daquela
serra
Tem um pé de papaconha
Tira a folha e lava a cara
Descarado sem vergonha
Em cima daquela
serra
Tem dois pilãozinhos de ferro
Um bate, outro responde
Meu bem está no inferno
Ante-ontem à
meia-noite
Saiu faca da bainha
Estão querendo me matar
Sabendo que a roxa é minha
O padre quando
namora
Passa a mão pela coroa
Namora, padre, namora
Namorar é coisa boa
Menina não veste
curto
Se tens a perna roliça
O padre da freguesia
Tudo que vê cobiça
Não me chame
boiadeiro
Não sou boiadeiro não
Sou tocador de boiada
Boiadeiro é meu patrão
Quem tiver o
segredo
Não conte à mulher casada
A mulher conta ao marido
O marido à rapaziada
Se eu soubesse
da certeza
Que meu bem vinha cá hoje
Eu varria a casa cedo
Semeava pó de arroz
Amanhã eu vou-me
embora
É mentira não vou não
Quem vai embora é meu corpo
Mas não vai meu coraçao
Em cima daquela
serra
Tem um banco de areia
Onde assenta mulher velha
Pra falar da vida alheia
Esta noite eu
tive um sonho
Mas, ó que sonho atrevido
Sonhei que estava abraçado
Com a forma de seu vestido
Esta noite eu
tive um sonho
Um sonho todo de louco
Abraçado com uma pedra
Dando bicota num toco
Quem me dera
estar agora
Lá no mato, no sertão
Onde está minha saudade
Onde está meu coração
Joguei meu
chapéu pra cima
Para ver onde caía
Caiu no colo da velha
Cruz em credo, Ave Maria!
Adeus plantas,
adeus rios,
Adeus gente do lugar
Vou partindo, vou chorando
Com vontade de voltar
Quando vim de
minha terra
Muita gente lá chorou
Só uma velha muito velha
Muita praga me rogou
Quem inventou a
partida
Não entendia de amor
Quem parte, parte chorando
Quem fica, morre de dor
Oh! linda
Pirapora
Lugar de ganhar dinheiro
Vou ganhar mil e quinhentos
Na turma dos engenheiros
Marmelo é fruta
gostosa
Onde dá na ponta da vara
Mulhe que chora por homem
Não tem vergonha na cara
Mamãe me chamou
de feia
Ela só quer ser formosa
Ela vai ser roseira
Eu vou ser botão de rosa
Não tenho medo
do homem
Nem do ronco que ele tem
O besouro também ronca
Vai se vê, não é ninguém
Em cima daquela
serra
Tem um velho fogueteiro
Quando vê moça bonita
Fica todo regateiro
Você de lá e eu
de cá
Ribeirão passa no meio
Você de lá dá um suspiro
Eu de cá, suspiro e meio
Eu pus minha mão
na sua
Você a sua na minha
Ficou uma coisa justa
Como faca na bainha