A pesca na Bahia poderia ser abundante devido a existência de uma infinidade de peixes que proliferam em decorrência da salinidade das águas. A extensão da costa e as características dos recortes e de fundo de mar faz com que os métodos e as formas de pesca sejam variados. As zonas de maior piscosidade estão localizadas em todo o litoral baiano no entanto, destacam-se: Arembepe, Morro de São Paulo, Praia do Forte e recantos da baía de Todos os Santos.
Instrumentos
O emprego de instrumentos de pesca varia, para cada região. A linha e a rede são utilizados com vantagem numa determinada zona e, em outras só a linha resolve. Noutras a pesca de rede de cerco ou arrasto é a preferida. Existe ainda aquelas zonas em que a linha e a rede não resolvem.
A camboa é um instrumento de pesca muito utilizado onde os pescadores constroem uma extensa cerca de varas ou de grossas estacas, implantadas na lama ou no leito do rio. Existe na beira da camboa uma abertura com um compartimento chamada chiqueiro, onde vão cair os peixes. O facho ou tapasteiro, é uma lâmpada de querosene de feitio apropriado, que os pescadores usam durante a noite, para iluminar as áreas próximas de pedras e os peixes encadeados se batem contra os recifes e daí são apanhadas pelos pescadores. A rede é o mais utilizado e varia de acordo com o tamanho do peixe. A rede para tainha mede de cerca de 80 a 90 metros de comprimento por quatro a oito metros de largura. Os pescadores num silêncio total, ficam esperando o cardume de tainhas. São doze embarcações que fazem o cerco apreendendo grande quantidade deste pescado. A linha pode ser presa num anzol ou pode vir acompanhada de uma longa vara de bambu. É geralmente utilizada para capturar o chamado peixe fino ou seja aquele mais comercial. Existem uma infinidade de outros instrumentos que são usados a depender do gosto do pescador, e das condições do meio onde ele vive.
Pesca do xaréu
No litoral norte de Salvador nas proximidades de Itapuã, praia de Armação, há uma pesca tradicional realizada há mais de 200 anos. Esta pesca não possui nenhuma importância econômica, porém, está integrada ao folclore da Bahia. É um espetáculo de força, movimento e ritmo maravilhoso. Nos meses de outubro e abril, é a época da desova dos peixes, os que procuram climas mais quentes, para cumprir a missão da procriação, que a natureza lhes reservou. Um calção roto, um velho chapéu de palha de abas largas — que serve de proteção contra o sol — e garrafas de cachaça, e lá vai o grupo de homens que às vezes soma quase 100. Vai ser iniciada a pesca do xaréu. O chefe, o mestre da terra, o mestre do mar, 20 ou 30 homens do mar e 20 ou 30 homens da terra, formam o grupo de pescadores. A rede que vai ser utilizada foi feita por ele, com suas mulheres e filhos. As jangadas e canoas começam a fazer o círculo em torno de um cardume de xaréu descoberto. A rede é jogada imediatamente ao mar. O chefe começa a enviar ordens e os atadores estão atentos para remendar qualquer estrago na rede. O círculo de jangadas antes formado, é conduzido por uma jangada maior. A sondagem do mestre do mar já gritou — xaréu! Desce para o fundo do mar e começa a contar os peixes. Quantos? Mergulhos sucessivos até a contagem final. O apito soa, e começa a puxada da rede. Os cantos tradicionais são entoados enquanto a rede começa a deixar a maior parte cheia de xaréu. Vai começar a partilha. O canto acabou-se. E os peixinhos vão morrendo na areia quente da praia.
Pescador
O pescador baiano é considerado o mais hábil do nosso país. São milhares mas, seu número não pode ser determinado com exatidão. O caráter artesanal da pesca, visando tão somente a sobrevivência transforma o pescador num infortunado. Suas dificuldades de ordem econômica, cultural e social o colocam em condição de desigualdade frente a outros profissionais.
A Sudepe vem desenvolvendo esforços no sentido de melhorar a condição do pescador através de um trabalho educativo junto às comunidades. Cursos e projetos são realizados visando criar condições para instalação de cooperativas de pesca. Mas, a própria condição artesanal do pescador é uma resistência. Ele não acredita nas promessas dos órgãos governamentais.
É um homem rude, acostumado a vencer sozinho as dificuldades da vida. Desde a infância que vende o mar, sem nenhuma providência.
Economia
A contribuição da pesca para a economia do estado de modo indireta, é grande pelo muito que ela representa para a subsistência das populações de muitas comunidades ao longo do litoral. Todavia, de modo direto, a influência é difícil precisar, porque a atividade pesqueira está isenta de tributos, daí dificulta o levantamento de dados estatísticos reais. O desenvolvimento, contudo, da indústria pesqueira, com o surgimento industriais de médio e grande porte, dentro do plano governamental, está modificando o quadro atual. Mas, há muito a ser realizado.
Nos rios
Segundo a Sudepe. "a pesca no rio é muito importante pelo grande número de rios, porém só se restringe quase a uma pesca de subsistência, isto é, o provimento das necessidades locais. De maior realce econômico, temos a pesca no rio São Francisco, onde entre as variedades de peixe, o surubim tem lugar especial pelo sabor de sua carne que se presta para fazer pratos típicos da região". A situação dos pescadores que cortam as terras da Bahia é muito pior do que os pescadores situados no litoral. As condições de vida são sub-humanas. O rio é como uma dádiva da natureza para matar sua fome eterna. A canoa e a jangada são instrumentos inseparáveis do homem que habita as margens dos rios.
Mais pescados
Há grande variedade de espécies de peixes nas costas baianas, porém, de maior importância econômica temos o vermelho, o olho de boi (muito encontrado na zona de Arembepe), cavala, tainha, dourado, bagre. No litoral norte de Salvador, nas proximidades de Itapuã, praia de Armação, há uma pesca tradicional que é a pesca do xaréu. Também os crustáceos constituem uma grande riqueza ainda não explorada convenientemente, encontrado em abundância em algumas regiões do estado como Valença, Cairu, Santo Amaro e mesmo nos recantos da baía de Todos os Santos.