Moda da bicharola
O jogo do bicho, atualmente proibido, deu origem a enorme literatura folclórica. A ela pertence a Moda da bicharola.
Um avestruz
Faz o ninho na matarola
O dois é a águia
Voando pô capo afora
Três é o burro
Puxando a sua carroçola
Quatro é a borboleta
Voando pô campo afora
Cinco é o cachorro
Aruando as bicharolas
Seis é a cabra
Que dá leite pra quem chora
Sete é o carneiro
Bicho de Nossa Senhora
Oito é o camelo
Pega a carga e vai-se embora
Nove é a cobra
Dá o bote e desenrola
Dez é o coelho
Comendo capim angola
Onze é o cavalo
[?]
Doze é o elefante
Faz a tromba e desenrola
Treze é o galo
Bicho que canta na hora
Catorze é o gato
Que pula de dentro pra fora
Quinze e o jacaré
C'o lombo de fora
Dezesseis é o leão
Quando urra os bicho chora
Dezessete é o macaco
Em qualquer pau ele se engaiola
Dezoito é o porco
Tampado na caçarola
Dezenove é o pavão
Que olha no pé e chora
Vinte é o peru
Abre as asas e apaga a roda
Vinte e um é o touro
Urrando no pé da tora
Vinte e dois é o tigre
Pega e vai-se embora
Vinte e três é o urso
Bicho que toca viola
Vinte e quatro é o veado
Correndo campo afora
Vinte e cinco é a vaca
E acabou-se a bicharola
(Idade do documento: mais de 50 anos; local do registro: Fazenda Bebedouro, município de Cajuru, São Paulo; informante: Clemente Jardim, operário)

