Moda da bicharola

O jogo do bicho, atualmente proibido, deu origem a enorme literatura folclórica. A ela pertence a Moda da bicharola.

Um avestruz
Faz o ninho na matarola
O dois é a águia
Voando capo afora

Três é o burro
Puxando a sua carroçola
Quatro é a borboleta
Voando campo afora

Cinco é o cachorro
Aruando as bicharolas
Seis é a cabra
Que dá leite pra quem chora

Sete é o carneiro
Bicho de Nossa Senhora
Oito é o camelo
Pega a carga e vai-se embora

Nove é a cobra
Dá o bote e desenrola
Dez é o coelho
Comendo capim angola

Onze é o cavalo
[?]
Doze é o elefante
Faz a tromba e desenrola

Treze é o galo
Bicho que canta na hora
Catorze é o gato
Que pula de dentro pra fora

Quinze e o jacaré
C'o lombo de fora
Dezesseis é o leão
Quando urra os bicho chora

Dezessete é o macaco
Em qualquer pau ele se engaiola
Dezoito é o porco
Tampado na caçarola

Dezenove é o pavão
Que olha no pé e chora
Vinte é o peru
Abre as asas e apaga a roda

Vinte e um é o touro
Urrando no pé da tora
Vinte e dois é o tigre
Pega e vai-se embora

Vinte e três é o urso
Bicho que toca viola
Vinte e quatro é o veado
Correndo campo afora

Vinte e cinco é a vaca
E acabou-se a bicharola

(Idade do documento: mais de 50 anos; local do registro: Fazenda Bebedouro, município de Cajuru, São Paulo; informante: Clemente Jardim, operário)

 

("Moda da bicharola". A Gazeta. 13 de ?? de 1958)