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Nesta seção, textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...

Superstições e crendices: siris e caranguejos

As populações ribeirinha, os que vivem pelos mangues têm várias histórias e crendices relativas aos siris e caranguejos, algumas bem interessantes, Dizem por exemplo:

- Perdeu a cabeça por causa dos companheiros.

- Não morre enforcado por não tem pescoço.

- Por morrer um caranguejo, não se cobre o mangue de luto.

- Caranguejo só é gordo nos meses que não têm "r": maio, junho, julho, agosto.

- Siri magro carrega água para siri gordo.

- O ciécié-été é conhecido, no sul por "chora-maré" e no norte por "chama-maré", por agitar sempre a pinça direita (várias vezes mais desenvolvida que a esquerda), num movimento de quem está acenando.

- O siri-patola é encantado.

- Dizem que o "garrancho" é esverdeado, misterioso, raramente visto pelos mariscadores. Vive num buraco, muito profundo, na lama, com entrada escondida. Nenhum pescador do mangue o vê duas vezes na vida. O garrancho só deixa o seu buraco uma vez por ano, à meia-noite, na sexta-feira da Paixão. Anda até o primeiro cantar do galo e, então, volta para o seu buraco e não há mais quem o veja. Quem conseguir arrancar pelos menos uma patinha do garrancho, estará com a vida garantida; nunca mais lhe faltará siri, caranguejo ou guaiamum.

 

("Superstições e crendices: siris e caranguejos . A Tribuna. Santos, 28 de agosto de 1960)
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