Jangada Brasil
  

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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

Ilustração de Marcos Jardim

cancioneiro

ANO VI - EDIÇÃO 64
MARÇO 2004

Linguagem popular nos Estados
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Bahia  |  Ceará  |  Goiás  |  Minas Gerais  |  Rio de Janeiro  |  Paraná  |  Pernambuco  |  Piauí Rio Grande do Norte  |  São Paulo  |  Maranhão

e mais
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Falares Catarinenses

Frases Feitas

Falares Capixabas

Adágios, axiomas, provérbios, rifões, termos musicais

Gírias e modismos

Comparações matutas

O dinheiro na linguagem popular

Folclore das profissões

Dizeres de nossa gente

Mundo caboclo

Apelidos sertanejos

Vocabulário popular de Alagoas

Pé na boca

Como fala o gaúcho

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Edições anteriores
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As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
Bibliografia utilizada
Saiba mais sobre a Jangada Brasil
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EDIÇÃO ESPECIAL - COISAS QUE O POVO DIZ: Nesta edição, textos sobre linguagem popular, termos e expressões, frases feitas, apelidos.


Dizeres de nossa gente

Achou ruim, faz meio-dia!: é isso, doa a quem doer! (ES)
, que ele é do mato!: exclama-se em Pernambuco, ante qualquer manifestação de tolice, incompetência ou acanhamento
Amigo de fim de carta: amigo duvidoso
Arrastar o surrão: gabar-se (SP)
Arrumar as costas com o ano do nascimento: processar criminalmente
Bater os tocos: ir embora (SP)
Comedor de pedra-lispe: valentão temível
Comer mingau de couve e arrotar lombo de porco: disfarçar o próprio sofrimento (MG)
Comer peru: não ser convidada a dançar no baile (ES)
Dar adeus com a mão fechada: dar banana
Dar terra para o feijão: fugir (MG)
Descobriu o xarope do bosque: o mesmo que descobriu o meu de pau, ou descobriu a pólvora (BA)
Disparar com os arreios: zangar-se (RS). No Ceará, correr com a sela é abandonar o jogo, estando a ganhar...
E é de hoje que...?:- há muito que... (BA)
Estar com chuva na coivara: sentir-se em dificuldades
Estar com a avó atrás do toco: zangar-se (MG)
Estar com as peias no pescoço:  sentir-se em liberdade
Fazer a festa e soltar os foguetes - ser o primeiro a achar graça no que diz.
Fazer capinar sentado - fazer sofrer.
Fazer-se de burro para poder ventar na frente das moças: simular falta de senso
Ficar morno: quedar-se indiferente
Ganhar o jeito do chão, ou ver o chão de perto: cair
Gritar pelo rei de França - pedir socorro (ba)
Ir ver o bispo: deixar queimar comida (ES)
Isso é com seu Hilário!: nada tenho a ver com isso (ES)
Não comprar bonde: não ser tolo ou explorável
Não fui eu quem comeu o boi do Divino: não sou culpado
Não mandar para o vigário: não enjeitar
Não ter ido tomar banho de mar: ter ido com propósito de ganhar
Parece que lhe morreu um sapo nas unhas: é muito sovina (BA)
Passar as cangalhas: trocar animal por animal, sem outra compensação
Pedir penico ou entregar a rapadura: reconhecer-se vencido
Pedro piroca, nariz de taboca, vendeu a mulher por dez réis de pipoca
Pegar
o sol com as mãos: passar a noite em claro
Pergunte a Deus por meus pecados!: não sei do que se trata (BA)
Pito, pitou, cachimbo virou, brasa apagou
Quebrar a louça e guardar os palitos, ou apanhar a cinza e derramar a farinha: fazer gastos supérfluos e economias mesquinhas
Quebrar a munheca ou dobrar o cotovelo: ingerir bebida alcoólica
Querer casar com o filho do sol e o neto da lua: pretender noivo extraordinário
Reduzir
a de traque: vencer e humilhar
Ser de dois estalos e três assobios: ser finório (ES)
Ser empreiteiro de Cristo: matar para ganhar dinheiro (MG)
Ser grosso pra palito: não ser capaz
Ter jenipapo nas cadeira: andar rebolando as ancas
Ter sinal encoberto: ser hipócrita
Tomar louvado: pedir a benção (SP)
Tomara cará mais isca!: foi pouco
Vai contar à tua mãe que teu pai te bateu!: dito de quem ouve cachorro ganir, depois de apedrejado (ES)
Vai-te à ré, porco!: corruptela de vade retro!
Virar
alcanfô (cânfora) ou virar sorvete: consumir-se, desaparecer

(Em Mota, Leonardo. Adagiário brasileiro. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1987)