Jangada Brasil
  

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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

Ilustração de Marcos Jardim

cancioneiro

ANO VI - EDIÇÃO 64
MARÇO 2004

Linguagem popular nos Estados
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e mais
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Falares Catarinenses

Frases Feitas

Falares Capixabas

Adágios, axiomas, provérbios, rifões, termos musicais

Gírias e modismos

Comparações matutas

O dinheiro na linguagem popular

Folclore das profissões

Dizeres de nossa gente

Mundo caboclo

Apelidos sertanejos

Vocabulário popular de Alagoas

Pé na boca

Como fala o gaúcho

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Edições anteriores
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As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
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EDIÇÃO ESPECIAL - COISAS QUE O POVO DIZ: Nesta edição, textos sobre linguagem popular, termos e expressões, frases feitas, apelidos.


Linguagem popular: Pernambuco

Expressões e frases feitas

Amarrar o gato e tomar uma carraspana: equivalentes a ficar embriagado
Ancho: palavra de uso atual na linguagem significando largo, em português popular sinônimo de orgulhoso, importante, cheio de si.
Arame, milho, cobre: na acepção de dinheiro
Arranca-toco: diz-se do valentão ou brabo
Arrasta-pés: dança em casa de família
Arta: exclamação que indica uma espécie de ordem ou imposição no sentido de parar com alguma coisa que se exagerou.
Assungar: significando subir ou levantar, como na frase assungar a saia.

Baita: isto é, estupendo, nunca visto, maravilhoso.
Bater na língua: isto é, contar coisa que mereciam reserva, discrição ou sigilo
Boi: menstruação, daí estar de boi ou chegar de boi.
Boi do rego aberto: expressão para apontar a pessoa gorda, isto é, avolumou as nádegas, aprofundando a regada da bunda, que, por sua vez, na linguagem do povo significa o "rego que se abre entre as duas nádegas.

Cara de castanha chocha: pessoa que tem o rosto engelhado.
Chá de garfo: debique, pilhéria, troça
Chove e não molha: quando uma pessoa remancha para resolver um negócio ou para pedir em casamento a moça com quem namora há muito tempo.
Cu-de-ferro: pessoa dura no cumprimento do dever, que não falta, faça chuva ou sol.
Cu-de-mãe-Joana: coisa que não tem dono, que todo o mundo pode mexer ou mesmo dela se apropriar.
Cum a breca: denuciando decepção, admiração ou espanto

Dar asa: isto é, dar liberdade excessiva, permitir que a pessoa se exagere falando ou agindo.
Dá cá aquela palha: brigar ou zangar-se facilmente por motivo sem importância.
Daqui mais pra aqui: locução que indica desprezo e pouco-caso, geralmente acompanhada de um gesto feito com a mão direita, correspondendo aos nossos inimigos pelo sinal.
Dunga: o chefe, o mandão, o corajoso, o valentão

É de tirar o chapéu: significando admiração ou homenagem por alguma coisa extremamente difícil de realizar
Emendar os bigodes: expressão empregada para indicar que dois adversários ferrenhos vão se engalfinhar numa luta de vida e morte.

Falar pelos cotovelos: significando falar muito, conversar excessivamente
Forrobodó: divertimento, pagodeira, festança

Gasquita: mulher geralmente magra, que fala muito, com voz estridente

Levado da breca: no sentido de travesso, traquinas, turbulento
Levar a breca: quer dizer acabar-se, desaparecer, desgraçar-se

Maracujá-de-gaveta: apelidado dado à pessoa que tem a cara engelhada como um maracujá velho, encarquilhado, esquecido no fundo de uma gaveta
Mequetrefe: pessoa ordinária, desclassificada

Onde a porca torce o rabo: aludindo ao momento mais difícil de uma tarefa
Os três vinténs: indicando virgindade; perder os três vinténs revela que a mulher deixou de ser donzela.

Pentear macacos: tarefa indicada às pessoas ociosas ou amalucadas, sobretudo quando se tornam importunas.
Picareta: alusão ao indivíduo que se apropria do que é dos outros, apresentando como coisa sua, que não faz força, aproveitando-se do trabalho alheio e assumindo a paternidade, aplica-se com freqüência, no campo literário ou científico.

Sangangu: significando barulho, briga, tropelia.
São brancos, lá se entendem: designando o bom entendimento entre pessoas do mesmo nível sócio-cultural, ou então lavando as mãos quando alguém vê duas pessoas do mesmo status social brigando.
Sirigaita: mulher geralmente magra, espalhafatosa, de má reputação
Sovaco-de-aleijado: aplica-se tal expressão ao indivíduo que vive sofrendo, em alusão ao sovado de aleijado que padece sem cessar, escorando-se na muleta.

Ter cotoco: isto é, pessoa inquieta, que não para ou muda sempre de lugar.
Tiborna: festa anarquizada, barulhenta, com falta de decência e compostura
Trambuzana: barulho, confusão, briga

Uma poia na expressão fulano é um poia: geralmente usada para designar pessoa preguiçosa, que fica num lugar e não tem coragem de levantar-se para coisa alguma.

Vender azeite às canadas: refere-se à pessoa que foi resolver algum negócio e foi mal-sucedido e saindo desesperada, furiosa.

(Valente, Valdemar, Folclore brasileiro: Pernambuco, Rio de Janeiro, Funarte, 1979, p.13-15)