|
Localismos e regionalismos
Abano: denominação particular dada à peneira sem furos, cuja destinação é
soprar cereais, limpando-os de resíduos, como palha, cascas, terra. A peneira de
sessar tem o pano crivado de furos, que tem diâmetros variáveis, segundo a
função específica (Ponte Nova, Zona da Mata).
Agaravios: apetrechos, coisas, armas e implementos destinados ao seu
porte (vales dos rios Jequitinhonha e Mucuri).
Aleijo: deformidade fisica, aleijão
Bacurim: o leitão que ainda amamenta (região norte-mineira do vale do São
Francisco).
Barango: diz-se de pessoa ou de coisa de mau gosto, barata, mixuruca,
fora de moda, cafona, boco-moco (Governador Valadares, Vale do Rio Doce).
Beira-mar: cantiga de canoeiros, ao compasso das vogas ou dos remos, no
rio Jequitinhonha.
Bembeu: pessoa raquítica, mirrada; bezerro enjeitado (Vale do
Jequitinhonha).
Bistontado: adoidado (Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo
Horizonte). Sinônimos populares mais comuns: amalucado, biruta,
desequilibrado, da bola virada (ou virado da bola), detraquê, fraco da idéia,
gira, pancada, perturbado, pirado, tantã, ter um parafuso de menos ( ou uma
telha quebrada), zoró, zoronga, zorongado, zorongo, zureta.
Bololô: confusão, briga, dificuldade
Bonserá: casa de cômodos, cortiço, habitação coletiva de baixa categoria
(Belo Horizonte).
Boque: isqueiro rústico, feito com ponta de chifre (Montes Claros).
Sinônimos populares: artifício, no vale do São Francisco; binga,
em quase toda parte.
Breguete: coisa, objeto. Sinônimo popular comum: trem.
Brol: pequena mauser, de boldo e de má qualidade (região norte-mineira do
vale do rio São Francisco).
Bruto: araticum do cerrado, dos grandes. Sinônimos populares:
cabeça-de-negro, panã, marolo(ô).
Burgaliana: tecido listrado, de algodão (região norte-mineira do vale do rio
São Francisco).
Calumbim: mata de espinheiros, assim como existe em certas áreas do vale do
rio São Francisco, sobretudo a margem esquerda, no município de Januária.
Cariá: (variação de cariapemba, termo africano que significa diabo)
demônio familiar que atenaza as pessoas, sendo necessário que se benza a casa
para que se vá (Crucilândia e Rio do Peixe, vale do rio Paraopeba).
Cata-risco: superstição, tabu que, impede que se pisem ou saltem riscos no
chão (Nepomuceno, sul de Minas).
Cazumba: rês morta em atoleiro, mordida de cobra, doença ou acidente
(vale do Jequitinhonha). Sinônimo popular na região norte-mineira do rio São
Francisco: morrinha. De morrinha, não aproveito nem o couro.
Chá-de-caldeirão: festinha que amigos íntimos do noivo lhe oferecem, poucos
dias antes do casamento (neologismo popular criado por analogia com
chá-de-panela).
Chatilene: corrente de relógio (região norte-mineira do vale do rio São
Francisco). Sinônimo popular na mesma região: gonda.
Cobó: estribo de sola (Montalvânia, vale do rio Paraopeba).
Comporta: atenção que se dá a alguém: Eu fui lá, mas o compadre não me
deu comporta. (Almenara, vale do rio Jequitinhonha).
Consolo (ô): bico, mamilo plástico ou de borracha para crianças.
Currutela (de corruptela, talvez): gentinha, ralé, arraia-miúda, refugo
social, zé povinho.
Desarnado: desbastado, falando-se de um objeto que se faz de madeira, e já
adquiriu o formato da coisa; não porém, a forma definitiva ou desejada.
Divulgar: enxergar quase nada ou ver mal e rapidamente os objetos.
Doença-do-ar: hemiplegia.
Embrecho: mancebia. Dificuldade, problema difícil de ser removido,
assim como escapar-se de um concubina. Empecilho, complicação.
Entangado: diz-se do tecido grosso, encorpado.
Entrunfado: amuado, aborrecido, mal-humorado, emburrado (região
norte-mineira do vale do rio São Francisco).
Esgandaiado: diz-se de quem está com o cabelo desarrumado, despenteado,
desgrenhado, assanhado. Desguedelhado.
Espírito-santo-de-orelha: aquele que, agindo às ocultas, traz dificuldade a
alguém.
Estriziado: magro, desbarrigado (vale do rio Jequitinhonha).
Facão: termo pejorativo para designar moça velha (Pedro Leopoldo, região
metropolitana de Belo Horizonte).
Franga: recusa para dançar ou namorar (Sete Lagoas, região metalúrgica).
Sinônimo popular registrado em Januária: taboba.
Frisete: grampinho de pernas superpostas, destinado a prender os cabelos.
Sinônimos populares: desmazelo, ramona, mis (variação do inglês
miss, moça, senhorita).
Goiabeiro: aplica-se a quem vive de barganhas. Sinônimo popular no Triângulo
Mineiro: catireiro.
Gongó: variedade de pequeno peixe encontrado no rio São Francisco.
Sinônimo popular: cascudo.
Iapa: extremidade larga e chata do chicote, destinada a estimular a
alimária (Serro, vale do rio Jequitinhonha).
Inguengado: perrengue, fraco adoentado.
Isquitinha (provável deturpação de iscazinha): migalha, osga.
Jatium: mosquito da classe do transmissor de impaludismo (vale do rio
Jequitinhonha). Sinônimo populares: pernilongo, muriçoca, moçorongo.
Jurabé: diabo.
Laquera: agitação, inquietação infantil (vale do rio Jequitinhonha).
Madre: útero. Sinônimo popular: mãe-de-corpo que também significa
placenta, secundina.
Miçangueiro: aquele que leva ao mercado consumidor o produto de sua própria
horta ou lavoura (Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte).
Moa(ô): termo pejorativo que designa grupinho suspeito de pessoas (Nepomucendo,
sul de Minas).
Negrinha: suporte para coador de café. Sinônimo populares: aparadeira,
boneca, mancebo, mariquinha, mariquita.
Paiporô: tolo, abobalhado (Crucilândia, vale do rio Paraopeba). Sinônimo
popular registrado na região norte-mineira do vale do rio São Francisco:
mané-besta (ê).
Pateco: relógio de bolso, dos grandes. Sinônimo popular: cebolão.
Patola: preguiçoso, moleirão (vale do rio Jequitinhonha).
Pigarro: estronca, escora de cabeçalho de carro de boi (Triângulo Mineiro).
Prancha: égua (leste de Minas). Sinônimo popular registrado em Rio
Casca, Zona da Mata: pichorra.
Quiabar: desfazer negócio já realizado (Nepomuceno, sul de Minas).
Riúna: aplica-se à roupa larga no corpo, mal-ajambrada, que é paga ao
recruta, quando senta praça no quartel. Sinônimo popular: jegue.
Sufregante (aparece também a pronúncia sufragante,
principalmente no vale do rio Jequitinhonha): átimo, abrir e fechar de olhos,
fração mínima de tempo.
Troar: fugir ou sair depressa, correndo (Pedro Leopoldo, região
metropolitana de Belo Horizonte).
Vacavém: parte traseira do carro de boi ou travessa que prende a extremidade
posterior das chedas.
Varsal (variação, talvez de vassalo): cada um dos figurantes não
graduados da guarda de moçambique e, por extensão, de qualquer guarda de Nossa
Senhora do Rosário.
Frases feitas e expressões verbais
Bater na cangalha para o burro entender: falar por indiretas
Beber água que passarinho não bebe: beber pinga, cachaça
Botar os podres pra fora: falar toda a verdade, mesmo aquilo de que se
envergonhe; usar de franqueza
Burro como uma porta: tapado, rude; grosseirão, ignorante
Cair das nuvens: surpresa diante do inesperado, de acontecimento que
não era previsto e com o qual se decepciona
Chover no molhado: insistir sem resultado prático, ou ensinar a quem não tem
interesse algum em aprender ou que não tenha capacidade intelectual para a
percepção. Sinônimos populares no campo da fraseologia popular em Minas:
pregar no deserto, malhar em ferro frio.
De pá virada: aplica-se a menino levado da breca, endiabrado, traquinas
De com força: com força (Januária, vale do rio São Francisco)
De já hoje: há pouco (sul de Minas)
De maior: maior, referindo-se à idade de alguém
De primeiro: antigamente
Descer solta de toa (ô): navegar de canoa, durante uma viagem longa, ao
sabor das águas, sem remar, para descanso dos braços (vale do rio São Francisco)
Fazer cômodo: acordo, ajuste (Bambui, oeste de Minas)
Fazer vista grossa: omitir-se, fazendo de conta que não vê, embora tenha a
responsabilidade de advertir
Ficar da banda podre: entre duas posições, ser colocado do lado antipático
Ficar de orelha em pé: ser cauteloso; desconfiado; ou estar preparado
contra algo que gere suspeita
Ficar de tanga chupando manga: cair em estado de miséria ou levar grande
desvantagem no negócio
Ficar no bem-bom: colocar-se a pessoa de quem se fala do lado melhor, por
má-fé
Ir a vaca pro brejo: perder o que se esperava ganho; ou descambar para a
violência
Ir para o beleléu: morrer; ou falir, empobrecer, cair em estado de miséria
Na bacia das almas: quase de graça, barato, pechincha, negócio da
China, por preço de galinha morta
Não ser filho de pai assombrado: destemido, corajoso
Não ter estrela (às vezes, complementa-se... na testa): com tal
frase justifica-se a desconfiança sem base
Não valer um tostão furado: frase depreciativa, com a qual se torna ínfimo o
valor de alguém, de animal ou coisa
No pé da letra: diz-se da resposta ou reação incontinenti
Palavra de rei: garantia de compromisso verbal
Passar mel na boca: enganar ardilosamente, iludir com falsos elogios
Pescar de rodada: pescaria de anzol que se faz no São Francisco enquanto
se navega, de canoa, viajando rio abaixo
Perder a tramontana: sair do sério, romper o equilíbrio emocional, perder a
calma, partir para a ignorância
Podre de rico: riquíssimo, endinheirado
Pôr a mão na consciência: advertência para que se medite no erro em que se
incorreu ou pode incorrer
Por um triz: aplica-se à ocorrência que por pouco não se realizou e que,
dado o caso, traria dificuldades ou prejuízo
Pular de ponta cabeça: com a cabeça para baixo e as pernas para cima, em
geral dentro da água
Rabo de foguete: tarefa espinhosa e, por natureza, difícil de ser
cumprida
Santo do pau oco (ou santinho do ...): na fala vulgar,
significa pessoa de falsa pureza ou moral fingida
Saúde de ferro: aplica-se a quem nunca adoeçe
Sono de pedra: aplica-se a quem não acorda fácil, que tem o sono
pesado
Subir na tamanca: reagir, perder o bom senso, irritar-se com uma pessoa
Surdo como uma porta: surdez bastante acentuada. Sinônimo popular:
surdo como tíu.
Ter sangue no olho: valente, corajoso
Tirar o cavalinho da chuva: desistir
Verdade nua e crua: aquela que envergonha, fere ou desmoraliza
|