Março 2010 - Ano XII - nº 134
Mário Melo
O Boletim da Associação Tucumana de Folclore, Argentina, traz verdadeira monografia sobre o gato doméstico, estudando-se desde a antiguidade egípcia, onde tinha honras de culto.
Quem matava um gato era castigado com severas penas. Quando um gato morria de morte natural, era enterrado num cemitério próprio, sob a invocação da deusa Bast, ou era embalsamado ou mumificado, arrancando-lhe os olhos e pondo, nas cavidades oculares, pedras preciosas.
É que o gato figurava no Egito como animal útil, pois, os pássaros e ratos que infestavam o país serviam de alimento, por eles caçados, aos felinos. Criar gato era servir a coletividade.
Esse culto egípcio passou à Grécia, da Grécia a Roma e Roma chegou à América. Daí figurar no folclore de todo o mundo em crenças e superstições, inclusive em casos de índole sensual, para curar mulher fria não é preciso mais que colocar-lhe sobre os rins uma pele de gato.
Conquanto seja o gato uma fera por excelência — pelos dentes caninos e pelas garras, ocultas numa bainha cutânea — representa o grau máximo da evolução entre os carnívoros terrestres.
No capítulo sobre crenças e superstições, algumas comuns à Argentina se adaptam ao Brasil:
Gato preto dá sorte à casa que mora.
Se um jovem pisa a cauda de gato, ficará solteiro. Sendo rapariga, perderá um baile ou uma festa.
Quando o gato lava a cara é sinal de proximidade de visita.
Onde, no rosto duma criatura, o gato lambe, aparece manchas cutâneas.
Para apoderar-se de gato alheio basta untar-lhe com azeite as patas e fazê-lo dar três voltas em torno duma mesa.
Quando um gato amola as unhas numa mesa, entrará dinheiro na casa.
Gato sem bigodes não caça ratos.
O gato vê mais de noite que de dia.
Gato preto significa o diabo, por isso o comem as feiticeiras.
Gato gosta que lhe alisem o lombo porque é a forma de carregar-lhes a eletricidade.
Quanto ao gato na medicina popular:
Carne assada de gato preto, dada a enfermo que o não saiba, cura asma.
Com graxa de gato se cura fratura óssea.
O assunto não está esgotado. Ainda há pano para as mangas. Talvez ainda volte a tratar do gato no folclore.