Para a informação das senhoras, ou de alguma futura Mrs Glass, acrescentamos os nomes de uns poucos artigos de massa e confeitaria populares no Brasil. Na lista de preços, os nomes de alguns, como é de compreender-se, despertaram nossa curiosidade: fatia celeste, pão fino empapado de leite e posto em infusão com uma mistura de açúcar, canela e gema de ovo; mãe-benta, guloseima angelical, inventada por uma antiga freira do convento da Ajuda, os ingredientes são farinha de arroz, manteiga, coco ralado e caldo de laranja; viúvas, pasta doce, fina como papel de seda, empilhadas até a espessura de uma polegada e cozida ao forno. Há também os suspiros, mentiras, cabelos-de-anjo, fios-de-ovos, pés-de-moleque, e outro ainda, baba-de-moça. Rosários são anéis de oito a dez polegadas de enfiadas de contas de rezar, nos quais o padre-nosso pode ser representado por uma amêndoa recoberta de uma camada doce, e as ave-marias representadas por bolinhas de pasta de confeito.
O toicinho do céu (heavenly bacon) merece uma palavra a mais. É uma espécie de pudim leve, composto de pasta de amêndoas, ovos, açúcar, manteiga e uma ou duas colheres de farinha. Seu nome recorda velhos tempos. A glorificação do toicinho vem de épocas muito remotas, e surgiu em partes pela prevalente inimizade aos judeus, mas as mais das vezes por que constituía um alimento realmente apreciado. Sendo o mais popular e estimado dos alimentos derivados da carne, era dado como prêmio de virtudes rurais, e particularmente das virtudes matrimoniais. El tocino del Paraiso para el casado no arrepiso — Toicinho do paraíso para o casado não arrependido — é um provérbio medieval.
[1845]