Era um dia três rapazes que resolveram sair pelo mundo para ganhar a vida.
Foram andando, andando, até que chegaram a certo ponto em que havia uma estrada à direita e outra à esquerda.
Vai então o mais velho disse: "Vamos nos separar, porque lá o ditado que três diabo fez".
— É verdade, disse o do meio. Isto é bem certo; tomemos, cada qual diverso caminho.
— Não, disse o mais novo. Podemos, nos separar, mas o que é verdade é que três Deus fez.
Que não, teimaram os outros. E separaram-se. O mais velho tomou pela direita, o do meio, pela esquerda e o mais moço seguiu a estrada larga.
O da direita ao atravessar um bosque, deu pela frente com um salteador que tomando-lhe o caminho lhe disse:
— A bolsa ou a vida! E apontou-lhe uma arma no peito.
Quando o pobre moço ia entregar ao ladrão tudo o que trazia apareceu-lhe um frade, com um crucifixo na mão. Ao vê-lo o ladrão se pôs em fuga, e então o frade perguntou ao viajante:
— Três diabo fez ou três Deus fez?
Ele caiu em si, e respondeu:
— Três Deus fez.
O que havia tomado pela esquerda foi dar num castelo desabitado, onde resolveu pousar.
Pela noite adentro, quando já estava querendo conciliar o sono penetrou no castelo um desconhecido, empunhando uma arma de fogo, e perguntou-lhe com que direito ele havia ousado apropriar-se da casa alheia.
Por mais que tentasse explicar, o outro não quis convencer-se e mandou-lhe que rezasse uma ave-maria, pois ia morrer.
O infeliz pôs-se a rezar e quando já se havia encomendado a Deus e sentiu que o desconhecido ia desfechar-lhe um tiro, viu surgir um vulto luminoso e desviar o braço do assassino, que logo desapareceu, como que por enquanto.
E então a aparição lhe perguntou:
— Três diabo fez ou três Deus fez?
Ele caiu em si e respondeu: — Três Deus fez.
Pela manhã a esse mesmo castelo chegava o irmão mais velho que lhe contou o que lhe havia acontecido, no caminho também a narração do outro. Nesse interim, veio ali ter o mais moço pois os três caminhos iam dar no mesmo ponto. Perguntaram-lhe como tinha ido de viagem e ele lhes contou que logo ao deixá-los se encontrara com dois rapazinhos, de um fazendeiro que com ele viajaram todo o dia na maior harmonia: levaram-no depois para a fazenda onde pernoitaram e que, pela madrugada, quando partira lhe deram uma boa matulotagem.
E, quando os irmãos lhe contaram o que com eles se havia passado, riu-se muito e perguntou-lhes:
— Então três diabo fez, ou três Deus fez?
— Três Deus fez! — responderam ambos.
— Eu não lhes dizia?
E daí continuaram a viajar os três irmãos, que nunca mais se separam, até que voltaram ricos para a terra e viveram sempre muito felizes, com a graças de Deus e das três pessoas da Santíssima Trindade, o Padre, o Filho e o Divino Espírito Santo. Amém.
(Colhido em Santos Dummont com um aluno do Grupo Escolar)