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Carlos Borges Schmidt
Deve-se a Eduardo e Henrique Laemmert, estabelecidos à rua da Quitanda nº 77, no
Rio de Janeiro, com uma casa editora, a publicação de numerosa série de livros
sobre agricultura, no século passado. É do ano de 1862 a edição do Tratado da
cultura do algodoeiro do Brasil ou arte de tirar vantagens dessa plantação, de
autoria do major Carlos Augusto Taunay e do padre Antônio Caetano da Fonseca.
Enquanto o sacerdote cuidou da parte do trabalho referente à exploração do
algodoeiro arbustivo, coube ao major Taunay o desenvolvimento da que dizia
respeito ao algodão arbóreo, usando para o tratamento da
matéria informações divulgadas nas "folhinhas" do Laemmert e das noções dadas à
publicidade pelo conselheiro Francisco de Paula Cândido. Acrescentadas das
considerações e de modificações quanto aos métodos preconizados que julgou por
bem aduzir e sugerir.
No texto deste Tratado da cultura do algodoeiro existem referências a outros
trabalhos de divulgação agrícola, naquela época já publicados. O Manual do
agricultor brasileiro, de autoria do próprio major Taunay, em colaboração com o
botânico Riedel, saíra publicado já em 1839. Registrando ainda estava a
existência de três outras publicações: o Manual dos agentes fertilizadores, o
Manual de máquinas, instrumentos e motores agrícolas e o folheto
intitulado Clamores da agricultura do Brasil. Eram ainda mencionados o Manual
do cultivador de algodão e a Monografia do cafezeiro e do café, publicados
por iniciativa da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.
Maior relação entretanto, das publicações da editora E. H. Laemmert, aparece na
parte final da obra da parceria major Taunay e padre Fonseca. Delas destacamos
aquelas relacionadas com a agricultura. A primeira dela devia-se a um pioneiro,
segundo afirmava o próprio autor. Era intitulada As abelhas e tratava da "sua
cultura, propagação e tratamento adaptado ao clima do Brasil, seguido da
preparação da cera e do fabrico das velas, por Cândido Jesus Branco, primeiro
cultivador deste ramo na província de Minas". Chamavam os editores a atenção dos
fazendeiros e cultivadores em geral para esse ramo da indústria animal, até
então pouco desenvolvido no Brasil, porém capaz de compensar o capital e o
trabalho nele empregados.
Outro trabalho, Arte da cultura e preparação do café, compreendia "a cultura
dos cafezeiros, seus melhoramentos; modo de o cultivar nas terras frias; causa da
abundância e falhas alternativas; sua preparação por um novo sistema; defeitos
do sistema em uso; construção das estufas e máquinas; considerações sobre o seu
jovem agricultor brasileiro que, segundo os editores se esmerou em procurar em
países estrangeiros novas idéias e melhores informações, com que pretendia
encontrar os caminhos de um melhor cultivo para os cafezeiros e uma melhor
preparação para o seu produto.
Da autoria do comendador Francisco Peixoto de Lacerda Werneck era a Memória
sobre a fundação de uma fazenda na província do Rio de Janeiro. Nela eram
versadas questões de administração e de práticas agrícolas, tais como épocas em
que devem ser feitas na plantações, colheitas etc. Argumentavam os responsáveis
pela edição que muitos dos nossos lavradores conheciam pouco as plantações do
país e as épocas mais apropriadas para realizá-las e
que estavam atrasados nas técnicas das edificações rurais, de semear, de colher e
de conservar os produtos agrícolas. Louvores àquela publicação, a lavoura não
era mais um arcano ou uma ciência de difícil compreensão.
Obra então considerada moderníssima e interessante, para fazendeiros e
lavradores, era o Manual prático da agricultura intertropical, de autoria de S.
V. Vigneron Jousselandiere, dono de uma experiência de 37 anos de lavoura no
Brasil. Continha o volume, segundo os editores, noções claras e precisas acerca
do tamanho e manipulação das terras, corte de madeiras, queimadas, horticultura,
café, do chá, do tabaco, das plantas em geral, árvores frutíferas, criação de
gado e outros animais domésticos e das abelhas.
Tratava-se de uma tradução do trabalho denominado Sorgo com o subtítulo de
Monografia da cana-de-açúcar da China, chamada sorgo sacarífero. Era de
autoria do dr. Adriano Sicard, secretário da Sociedade de Horticultura de
Marselha, membro de várias sociedades científicas, e fora traduzida e
acrescentada com "várias reflexões e notas explicativas" pelo desembargador
Henrique Veloso de Oliveira. A obra versava o fabrico do açúcar, do rum, do
vinho, da cidra, da cera, do pão e de muitos outros produtos que podiam ser
obtidos daquele cereal. Tal planta, dizia a nota de apresentação, suposto que
pela prontidão com que amadurece possa ser cultivada durante o verão das regiões
temperadas é, contudo, essencialmente própria dos países quentes, e prosperava
muito mais na Argélia do que na França. O livro na sua tradução, tinha
convertidos os pesos e as medidas, aos padrões em uso entre nós, trazia
explicações para comodidade dos leitores e achava-se ornado com uma estampa.
Da lavra de Custódio de Oliveira Lima era o Guia do jardineiro, horticultor e
lavrador brasileiro. Um verdadeiro "tratado acerca da cultura das flores,
hortaliças, legumes, frutas, cereais: da criação e tratamento das abelhas, bicho
da seda, animais e aves domésticas: virtudes e propriedades das plantas, sua
classificação usos e aplicações: calendário do jardineiro e horticultor etc."
Um livro completo como se vê.
Anunciava também a editora, um Lunário e prognóstico perpétuo, geral e
particular para todos os reinos. E como rezava a notícia "acrescentado com uma
invenção de apontamentos e regras para que se saiba fazer prognósticos e uma
memorial de remédios universais". Tratava-se de uma segunda edição, publicada em
1848. adaptada "ao hemisfério do império do Brasil". Provavelmente não era outra
a obra que não aquele mesmo lunário perpétuo, impresso pela primeira vez há mais
de duzentos anos e que até o presente vem sendo objeto de sucessivas edições,
como a tirada recentemente pelos editores portugueses Leilo & Irmão. Esta
recentíssima edição intitula-se Lunário e prognóstico perpétuo para todos os
reinos e províncias de autoria de um Jerônimo Cortez, valenciano em especial
"na computação dos tempos: nas coisas agrícolas; com as virtudes medicinais de
algumas plantas portuguesas; com os socorros a dar aos envenenados; com a
descrição e tratamento de muitas moléstias; com numerosas receitas úteis e
proveitosas; com o modo de descobrir as águas; com vários jogos de carta
divertidos etc.". E, ainda hoje, esgotam-se as edições.
L. P. de Lacerda Werneck, provavelmente o mesmo autor atrás referido, era o
responsável pelo volume intitulado Idéias sobre colonização, cujo texto era
precedido de uma "sucinta exposição dos princípios gerais que regem a
população". A empresa editora tecia algumas considerações a respeito do
trabalho. A colonização, naquela época, já era questão vital para o vasto
território do Império, a vista da diminuição sensível do braço trabalhador,
existindo, mesmo um desfalque de elevadas proporções quanto ao braço agrícola,
agravada pela necessidade de ir tratando de substituir o trabalho escravo pela
imigração de homens livres. "Ora — aduziam os editores — um livro cujo autor
estudou a fundo toda essa complicada matéria, e que resumiu os diversos sistemas
de colonização em um cômodo volume. Interpondo o seu juízo a respeito do
conceito que merecem deve ser lido por todos aqueles que se interessam
sinceramente pelo desenvolvimento e bem-estar futuro da nação brasileira".
O Segredo americano de amansar cavalos, da lavra de John S. Rarcy, era um
"compêndio de todos os métodos até agora conhecidos, reduzidos a sistema e
prática, incluindo a arte de lhes tirar o vício de escoucear e outras manhas, o
modo de ensinar, esfregar, arreiar e de montar potros". Estava o livro ornado
com estampa explicativas.
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