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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

imaginário

ANO VI - EDIÇÃO 66
MAIO 2004

Imaginário
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A raposa e a onça

O rei e o sapateiro, por Figueiredo Pimentel

A onça e o gato, por Figueiredo Pimentel
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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IMAGINÁRIO - Nesta seção, textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas; narrativas populares; seres fantásticos...


O rei e o sapateiro

Figueiredo Pimentel

Um rei muito bom, dotado de excelente coração, costumava sair sozinho e disfarçado, pelas ruas da cidade, a fim de poder bem apreciar as necessidades do seu povo.

Uma vez, ao passar por uma rua, ouviu alguém cantando:

Ribeiros correm pro rio
Os rios correm pro mar
Quem nasceu para ser pobre
Não lhe vale trabalhar

O rei parou, observou a casa e indagou quem nela residia.

Era um pobre sapateiro, honesto e trabalhador, cheio de filhos, que vivia na maior miséria possível.

Sua majestade tomou nota do número e da rua.

No dia seguinte mandou preparar pelo seu cozinheiro um saboroso bolo, que encheu de moedas de ouro e fez levá-lo ao sapateiro.

Na outra tarde, passando pela mesma rua, escutou a mesma cantiga:

Ribeiros correm pro rio
Os rios correm pro mar
Quem nasceu para ser pobre
Não lhe vale trabalhar

O rei entrou e fritou para o sapateiro:

— Esta cantiga é mentirosa, ou tu não dizes o que pensas! Onde está o bolo que te mandei ontem cheio de moedas?

— Oh! real senhor, eu não sabia! Devendo muitos favores a um amigo, enviei-lhe de presente.

Então o rei fê-lo acompanhar ao palácio.

Aí, mandou-o encher um saco de ouro e despediu-o.

O sapateiro voltava alegremente para casa, quando, de súbito, caiu morto, fulminado pela comoção.

Transportaram-no para o necrotério e acharam-lhe um papel na mão.

O delegado de polícia abriu-o e leu:

Eu, para pobre o criei
Tu rico fazê-lo queres
Agora aí o tens morto
Dá-lhe a vida, se puderes.

(Pimentel, Figueiredo. Histórias da baratinha. Rio de Janeiro, Livraria Garnier, 1994, p.109-110)