Jangada Brasil
  

  Jangada Brasil  | RealejoProvérbios  |  No Estradão  |  Amigos da Jangada  | Contato  | Mapa do Site

Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

imaginário

ANO VI - EDIÇÃO 66
MAIO 2004

Imaginário
....................................
A raposa e a onça

O rei e o sapateiro, por Figueiredo Pimentel

A onça e o gato, por Figueiredo Pimentel
....................................

Capa
....................................

Festança
....................................
Cancioneiro
....................................
Oficina
....................................
Palhoça
....................................
Colher de Pau
....................................
Panacéia
....................................
Catavento
....................................
Almanaque
....................................
 

Edições anteriores
Seleções temáticas
As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
Bibliografia utilizada
Saiba mais sobre a Jangada Brasil
Contatos
 

IMAGINÁRIO - Nesta seção, textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas; narrativas populares; seres fantásticos...


A raposa e a onça

(Colhida entre os índios, por Couto de Magalhães)

Ilustração de Marcos Jardim

O sol secou todos os rios e ficou só um poço com água. A onça então disse:

— Agora, sim, pilho a raposa, porque vou fazer espera no poço da água.

A raposa, quando veio, olhou para frente e avistou a onça; não pôde beber água e foi-se embora, imaginando um plano para poder beber.

Vinha uma mulher pelo caminho com um pote de mel na cabeça.

A raposa deitou-se no caminho e fingiu-se morta; a mulher arredou-a e passou.

A raposa correu pelo cerrado, saiu-lhe adiante no caminho e fingiu-se morta; a mulher arredou-a e passou adiante.

A raposa correu pelo cerrado e, mais adiante, fingiu-se morta; a mulher chegou e disse:

— Se eu tvesse apanhado as outras já eram três.

Arriou o pote de mel no chão, pôs a raposa dentro do cesto, deixou-o aí e voltou para trazer as outras raposas.

Então a raposa lambuzou-se no mel, deitou-se por cima das folhas verdes, chegou ao poço e assim bebeu água.

Quando a raposa entrou na água e bebeu, as folhas se soltaram; a onça conheceu-a, mas quando quis saltar-lhe em cima, a raposa fugiu.

A raposa estava outra vez com muita sede, bateu num pé de aroreira, lambuzou-se bem na sua resina, espojou-se entre as folhas secas e foi para o poço.

A onça perguntou:

— Quem és?

— Sou o bicho folha-seca.

A onça disse:

— Entra na água, sai e depois bebe.

A raposa entrou, não lhe caíram as folhas, porque a resina não se derreteu dentro da água; saiu e depois bebeu, e assim fez sempre até chegar o tempo da chuva.

(ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro; cantos e contos populares do Brasil. 3 v. Rio de Janeiro, Livraria José Olímpio Editora, 1954. Coleção Documentos Brasileiros)