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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

festança

ANO VI - EDIÇÃO 66
MAIO 2004

Festança
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Bebendo jurema ou a festa do ajucá, por Carlos Estêvão

O Calango — baile típico da Baixada Fluminense, por Wilson W. Rodrigues

Festas ruralistas, por João Brito Jorge
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Capa
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Cancioneiro
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...


Festas ruralistas

João Brito Jorge

Quer o homem rural, quer o citadino que passou uma temporada no interior, ambos recordam alguma festa sertaneja, tão tipicamente brasileira, nesse culto tradicional que é o orgulho da nossa gente.

A festa rural é aguardada por um longo período, preocupando a todos para ser melhor do que a dos anos anteriores, sempre recordada na lembrança agradável dos prazeres vividos.

Quantos sonhos, quantos romances, agitam o pensamento da mocidade; quantas saudades, síntese de tudo para aqueles que, mais idosos, também tiveram idênticas emoções, tão humanas.

Os dias que antecipam a festa da cidade do interior são de uma atividade febril, incomparável. Para as moças o preparo das mais lindas vestimentas, o enfeite gracioso para o máximo encanto do possível príncipe encantado; para os jovens, o planejamento dos encontros, do baile da Prefeitura ou clube local; para as crianças, os foguetões, a música, o homem mágico, o domador de animais amestrados. Até para as personalidades da terra há a preocupação pelo honroso comentário do povo e dos visitantes dos municípios e vilas próximas.

A festa é sempre em homenagem à santa padroeira, cuja matriz fica ornamentada com carinho, quando os festejos não são realizados numa pequenina igreja ou capela da mesma forma ornamentada e alvo de todos os cuidados das pessoas mais empolgadas pelo culto católico tradicional. Há, também, o patrono da festa, figura política de relevo, com base econômica, custeando as despesas indispensáveis ao brilhantismo das comemorações, além da acolhida aos visitantes mais ilustres, na honrosa hospitalidade tão sertaneja.

Desde de cedo os foguetões anunciam o início da festa. A missa é o ponto de reunião de toda cidade. Cânticos em músicas sacras na maioria das vezes, tornam a cerimônia religiosa mais emocionante. Os batizados, reúnem pais e amigos, estendendo a família na homenagem ao "compadre", título honroso que quase todos ostentam com prazer, tornando mais íntima a vida sertaneja.

A festa, logo a seguir, é iniciada nos ranchos, onde são encontradas bebidas típicas, alimentos comuns, doces caseiros, pequenos objetos de uso pessoal. Da mesma forma ali são realizados sorteios de prendas, jogos os mais diversos, facilitando o resultado da renda para os promotores da festa, em benefício da própria igreja.

À tarde, todos tomam parte ou assistem à procissão, ponto alto do culto religioso. A cidade inteira curva-se, respeitosa, à passagem da imagem da padroeira muito querida.

Finalmente, à noite, depois da reza silenciosa e expressivas, as maiores expansões de alegria, os bailes dos mais ricos ou as danças nas casas particulares dos mais humildes.

Foguetes, música, e até às primeiras horas do dia seguinte, comemora-se a festa da cidade, dias e dias motivo de comentários, comparações e recordações gerais.

Quanta singeleza no encanto e felicidade da vida rural!

E é por isso que o sertanejo iludido pelas belezas da cidade, retorna à pequena vila do interior. E o homem da capital, vivendo com luxo e conforto, na exaltação efêmera dos que sonham com os prazeres sociais, procura o sertão onde a vida, mais simples e sincera, é muito mais feliz.

(Jorge, João Brito. "Festas ruralistas". Diário Carioca. Rio de Janeiro, 12 de abril de 1959)