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J. Cariri
A quantidade e variedade de crendices, superstições e práticas populares sobre o
casamento, existentes entre todos os povos, é uma prova da importância
psicológica e social do matrimônio. Na maioria dessas crendices se traduz o
desejo de arranjar noivo, ou noiva, de saber como será o futuro cônjuge
(velho ou novo, solteiro ou viúvo...) enfim, se a criatura se casará ou não. No
populário universal talvez não haja terreno onde a imaginação do povo mais se
tenha expandido em criações curiosas, algumas cheias de poesia, e sofrido as
mais diversas influências.
Da vasta coletânea de usos e superstições comuns ao povo cearense feita pelo
barão de Studart e publicada na Revista da Academia Cearense extraímos as
seguintes sobre o casamento. Muitas delas é claro, são comuns a outros estados,
a Portugal e outros países europeus, de onde a maioria se originou.
- Pisar em rabo de gato é perder esperanças de casamento.
- Passar a vassoura, ao varrer a casa pelos pés de um transeunte é condená-lo ao
celibato.
- O encontro por acaso de duas colheres numa xícara é prenúncio de casamento.
- Em noite de São João passa-se um ramo de manjericão na fogueira e atira-se ao
telhado; se na manhã seguinte o manjericão ainda está verde, o casamento é com
moço, se murcho, é com velho.
- Em noite de São João duas agulhas metidas numa bacia d'água indicam casamento
se as agulhas se ajuntarem.
- Em noite de São João escrevem-se em papelitos os nomes de várias pessoas,
enrolam-se os papelitos e se os põe numa vasilha com água; o papel que amanhecer
desenrolado indicará o nome da noiva ou noivo.
- Em noite de São João tomam-se três pratos, um sem água, outro com água limpa e
o terceiro com água suja; quem faz a experiência aproxima-se com os olhos
vendados, e põe a mão sobre um deles: o prato com a água não dá casamento, o de
água suja indica que o casamento será com viúvo, e o de água limpa, casamento
com solteiro.
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- Em noite de Santo Antônio ou em noite de São João põe-se uma moeda de
vintém na fogueira e tira-se para dá-la no dia seguinte ao primeiro pobre que
aparecer; o nome do pobre é o nome do noivo.
- Em noite São João dão-se nós nas quatro pontas do lençol tendo-se
previamente escrito nelas os nomes de quatro pessoas queridas, mas os nós sendo
bem frouxos; ao amanhecer o nós que estiver desmanchado indicará o nome do
futuro esposo ou esposa.
- Em noite de São João passa-se sobre a fogueira um copo contendo água,
mete-se no copo sem que atinja a água um anel de aliança preso por um fio e
fica-se a segurar no fio; tantas são as pancadas dadas pelo anel nas paredes do
copo quantos os anos que o experimentador terá de esperar pelo casamento.
- Para uma pessoa conhecer se está próximo a casar, planta três dias antes de
São João, três cabeças de alho; quantas cabeças de alho aparecerem nascendo no
dia de São João, tantos serão os anos de espera do casamento; se nenhuma
aparecer, é que a pessoa não casará.
- Quem no escuro em noite de São João tirar numa pimenteira, uma pimenta
verde casará com moço, se encarnada, casará com velho.
- Achar um trevo de quatro folhas é sinal de próximo casamento.
- As moças que querem casar roubam a Santo Antônio o menino Jesus que traz no
braço, e devolvem-no sob segredo quando noivas. Outras amarram o Santo ou o põem
de cabeça para baixo.
- Moça solteira que perde a liga é que o noivo é fingido.
- A moça que arrebenta os cós da saia estão lhe tomando o noivo.
- Caminho de São Tiago por cima da casa é casamento.
- Flor que o noivo dá à noiva ou vice-versa não se guarda para que não
briguem.
- Garrancho que se prende à saia de uma mulher solteira ou viúva é anúncio de
casamento com viúvo.
(Cariri, J. "Crendices sobre o casamento".
Revista Shell, nº 47, setembro-outubro de 1948)
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