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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

Almanaque

ANO VI - EDIÇÃO 66
MAIO 2004

Almanaque
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Casamento Cigano

Crendices sobre o casamento

Pelo correio eletrônico

Latrinália

Na parede do Boteco

No estradão

Provérbios

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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...


Crendices sobre o casamento

J. Cariri

A quantidade e variedade de crendices, superstições e práticas populares sobre o casamento, existentes entre todos os povos, é uma prova da importância psicológica e social do matrimônio. Na maioria dessas crendices se traduz o desejo de arranjar noivo, ou noiva, de saber como será o futuro cônjuge (velho ou novo, solteiro ou viúvo...) enfim, se a criatura se casará ou não. No populário universal talvez não haja terreno onde a imaginação do povo mais se tenha expandido em criações curiosas, algumas cheias de poesia, e sofrido as mais diversas influências.

Da vasta coletânea de usos e superstições comuns ao povo cearense feita pelo barão de Studart e publicada na Revista da Academia Cearense extraímos as seguintes sobre o casamento. Muitas delas é claro, são comuns a outros estados, a Portugal e outros países europeus, de onde a maioria se originou.

- Pisar em rabo de gato é perder esperanças de casamento.

- Passar a vassoura, ao varrer a casa pelos pés de um transeunte é condená-lo ao celibato.

- O encontro por acaso de duas colheres numa xícara é prenúncio de casamento.

- Em noite de São João passa-se um ramo de manjericão na fogueira e atira-se ao telhado; se na manhã seguinte o manjericão ainda está verde, o casamento é com moço, se murcho, é com velho.

- Em noite de São João duas agulhas metidas numa bacia d'água indicam casamento se as agulhas se ajuntarem.

- Em noite de São João escrevem-se em papelitos os nomes de várias pessoas, enrolam-se os papelitos e se os põe numa vasilha com água; o papel que amanhecer desenrolado indicará o nome da noiva ou noivo.

- Em noite de São João tomam-se três pratos, um sem água, outro com água limpa e o terceiro com água suja; quem faz a experiência aproxima-se com os olhos vendados, e põe a mão sobre um deles: o prato com a água não dá casamento, o de água suja indica que o casamento será com viúvo, e o de água limpa, casamento com solteiro.

- Em noite de Santo Antônio ou em noite de São João põe-se uma moeda de vintém na fogueira e tira-se para dá-la no dia seguinte ao primeiro pobre que aparecer; o nome do pobre é o nome do noivo.

- Em noite São João dão-se nós nas quatro pontas do lençol tendo-se previamente escrito nelas os nomes de quatro pessoas queridas, mas os nós sendo bem frouxos; ao amanhecer o nós que estiver desmanchado indicará o nome do futuro esposo ou esposa.

- Em noite de São João passa-se sobre a fogueira um copo contendo água, mete-se no copo sem que atinja a água um anel de aliança preso por um fio e fica-se a segurar no fio; tantas são as pancadas dadas pelo anel nas paredes do copo quantos os anos que o experimentador terá de esperar pelo casamento.

- Para uma pessoa conhecer se está próximo a casar, planta três dias antes de São João, três cabeças de alho; quantas cabeças de alho aparecerem nascendo no dia de São João, tantos serão os anos de espera do casamento; se nenhuma aparecer, é que a pessoa não casará.

- Quem no escuro em noite de São João tirar numa pimenteira, uma pimenta verde casará com moço, se encarnada, casará com velho.

- Achar um trevo de quatro folhas é sinal de próximo casamento.

- As moças que querem casar roubam a Santo Antônio o menino Jesus que traz no braço, e devolvem-no sob segredo quando noivas. Outras amarram o Santo ou o põem de cabeça para baixo.

- Moça solteira que perde a liga é que o noivo é fingido.

- A moça que arrebenta os cós da saia estão lhe tomando o noivo.

- Caminho de São Tiago por cima da casa é casamento.

- Flor que o noivo dá à noiva ou vice-versa não se guarda para que não briguem.

- Garrancho que se prende à saia de uma mulher solteira ou viúva é anúncio de casamento com viúvo.

 

(Cariri, J. "Crendices sobre o casamento". Revista Shell, nº 47, setembro-outubro de 1948)