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Maio 2009 - Ano XI - nº 124


Sumário

Festança
Os caiapós de Atibaia
João B. Conti

Cancioneiro
O romance da prisioneira do castelo do mar
Manoel Camilo dos Santos

Imaginário
Bicho de Palha
José Ribeiro

Colher de Pau
Receitas da culinária nortista e nordestina

Oficina
A gente do sertão
Deise Sabbag

Palhoça
Tipos populares de Pirapora
Dóris Álvares

Panacéia
Produtos animais na terapêutica popular

 

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Festança
Textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...

Os caiapós de Atibaia

João B. Conti

Entre os costumes populares que alegravam os festejos atibaianos de outrora, os caiapós parece-nos, desapareceram completamente e não mais voltarão. Já não vive mais o velho nhô Cornélio, tipo perfeito de cacique, o qual, com uma naturalidade que lhe era peculiar, encarnava o valente chefe da tribo que, nos natais de outrora invadia a cidade, ameaçava com seu arco e flecha a pacata população, tudo, porém, dentro da maior harmonia, para gáudio de todos.

Tudo isto divertia. Tudo amenizava os dias amargos de um ano inteiro de lutas, que, hoje, infelizmente, já vai sendo tachado de atraso, porque é feito por gente humilde. Que é o nosso carnaval, senão congadas, caiapós e etc.? Que seja assim! Deixemos de lamúrias e vamos ver como eram os caiapós.

Pelo Natal, cujos festejos duram quatro dias, aparecem ainda hoje as congadas e cavalhadas, mas, em outros tempos, vinham também os caiapós; grupo de homens vestidos de índios que, formados de dois em dois, percorriam as ruas da cidade numa dança peculiar, acompanhados de instrumentos rústicos.

Eis sua formação:

o o
o o
o o
o o
o o
ooOoo

o - caiapós
O - cacique

Assim iam eles dançando e, de distância em distância, voltavam para cortejar o cacique, dando, no compasso de buzina, um clássico pulinho que muito caracterizava sua dança.

Na sua marcha, se porventura aparecia um cavaleiro, um trole, ou um automóvel, era pelo chefe dado, com a buzina, um sinal de alarme e todos se atiravam ao chão, apontando com o arco o "fantasma" e só se levantavam depois de novo sinal do chefe. Tudo isto, porém, da maneira mais pacífica e divertida possível.

Chefiava o bando um oleiro, conhecido por nhô Cornélio (Cornélio Pedro d'Alves), tipo bastante popular e de quem era reclamado, o ano todo, a sua presença como o cacique da tribo. Era compenetrado e muito vaidoso.

Quando os seus súditos voltavam para cortejá-lo, ele os recebia com ares empavonados dando a idéia perfeita de quem era um chefe e chefe de verdade. Sua vestimenta era idêntica a dos outros, porém, com mais penas, maiores enfeites enfim, e levava consigo uma buzina.

O instrumental dos caiapós consistia em:

a. uma espécie de tamanco, isto é, uma taboazinha com um couro, que eles vestiam nas mãos e batiam de acordo com a música do clichê.

b. uma caixa;

c. uma zabumba;

d. e uma buzina que era levada pelo chefe.

Assim é que, com a sua vestimenta de penas, a clássica buzina de chifre e os sons de outros instrumentos, os caiapós de Atibaia se divertiam e alegravam a pacata população, sem com isso ofender o decoro público.

Hoje, desapareceram relegados ao olvido, para darem lugar a novos costumes que, infelizmente, são trazidos por sua "excelência a civilização", e nós reverentes, nos curvamos para esquecer o que é nosso.

(Conti, João B. "Os caiapós de Atibaia". Atibaia, abril de 1949)

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