Entre os costumes populares que alegravam os festejos atibaianos de outrora, os caiapós parece-nos, desapareceram completamente e não mais voltarão. Já não vive mais o velho nhô Cornélio, tipo perfeito de cacique, o qual, com uma naturalidade que lhe era peculiar, encarnava o valente chefe da tribo que, nos natais de outrora invadia a cidade, ameaçava com seu arco e flecha a pacata população, tudo, porém, dentro da maior harmonia, para gáudio de todos.
Tudo isto divertia. Tudo amenizava os dias amargos de um ano inteiro de lutas, que, hoje, infelizmente, já vai sendo tachado de atraso, porque é feito por gente humilde. Que é o nosso carnaval, senão congadas, caiapós e etc.? Que seja assim! Deixemos de lamúrias e vamos ver como eram os caiapós.
Pelo Natal, cujos festejos duram quatro dias, aparecem ainda hoje as congadas e cavalhadas, mas, em outros tempos, vinham também os caiapós; grupo de homens vestidos de índios que, formados de dois em dois, percorriam as ruas da cidade numa dança peculiar, acompanhados de instrumentos rústicos.
Eis sua formação:
o o
o o
o o
o o
o o
ooOoo
o - caiapós
O - cacique
Assim iam eles dançando e, de distância em distância, voltavam para cortejar o cacique, dando, no compasso de buzina, um clássico pulinho que muito caracterizava sua dança.
Na sua marcha, se porventura aparecia um cavaleiro, um trole, ou um automóvel, era pelo chefe dado, com a buzina, um sinal de alarme e todos se atiravam ao chão, apontando com o arco o "fantasma" e só se levantavam depois de novo sinal do chefe. Tudo isto, porém, da maneira mais pacífica e divertida possível.
Chefiava o bando um oleiro, conhecido por nhô Cornélio (Cornélio Pedro d'Alves), tipo bastante popular e de quem era reclamado, o ano todo, a sua presença como o cacique da tribo. Era compenetrado e muito vaidoso.
Quando os seus súditos voltavam para cortejá-lo, ele os recebia com ares empavonados dando a idéia perfeita de quem era um chefe e chefe de verdade. Sua vestimenta era idêntica a dos outros, porém, com mais penas, maiores enfeites enfim, e levava consigo uma buzina.
O instrumental dos caiapós consistia em:
a. uma espécie de tamanco, isto é, uma taboazinha com um couro, que eles vestiam nas mãos e batiam de acordo com a música do clichê.
b. uma caixa;
c. uma zabumba;
d. e uma buzina que era levada pelo chefe.
Assim é que, com a sua vestimenta de penas, a clássica buzina de chifre e os sons de outros instrumentos, os caiapós de Atibaia se divertiam e alegravam a pacata população, sem com isso ofender o decoro público.
Hoje, desapareceram relegados ao olvido, para darem lugar a novos costumes que, infelizmente, são trazidos por sua "excelência a civilização", e nós reverentes, nos curvamos para esquecer o que é nosso.